Problemas / oportunidades

Os pataqueiros da Límia levam tempo a se queixar dos problemas que supom para a súa actividadae a declaraçom dumha Zona de Proteçom para Aves na zona. A Xunta, a lhes fazer caso, estuda o jeito de lhes minimizar o impacto.
Boa parte das terras de cultivo destes agricultores provenhem a dessecaçom da Lagoa de Antela, considerada no seu dia o maior (ou o segundo maior) humidal do Estado, em competência com o celebérrimo Doñana, uns 42 km quadrados. Os recentes temporais assolagárom umha pequena parte desta antiga extensom, o que de novo foi denunciado polos agricultores como um problema para o seu trabalho.

E paralelo, descobro os projectos para recuperar o chamado Mar de Campos, em Paléncia. E chama-me a atençom a declaraçom dum dos implicados: “Imagine lo que sería tener un Doñana en Palencia. Eso es a lo que aspiramos”.

Aqui nom somos quêm de o imaginar, embora está aí, a flor de terra. A questom é que devemos pensar quê modelo queremos. A produçom agrária e a soberania alimentar é claro que é fundamental. Mas quiçais o modelo de monocultivo estensivo, a base de destruír humidais, nom seja o mais ajeitado. Por nom falarmos das problemática periódica com os preços que sofrem os produtores de pataca polos actuais modelos de distribuiçom. Alguém terá botado as contas? Realmente som mais rendíveis as patacas do que os humidais?

Novos Sam Joaos

 

 

 

Terras prepara ya la noche más ‘meiga’.

A festa do Sam Joao vive ainda um bocado à parte das instituições públicas ou das entidades culturais habituais. Tal e como sinala Xurxo Insua neste artigo sobre O Entrudo, enquanto festa viva muta, busca novas configurações, adapta-se a cánons e olhadas por vezes aparentemente alheias. Assim, buscam-se elementos locais diferenciadores, como esse castelo que queimam em Arçua, ou a meiga de Conjo.

Na Corunha, pola sua banda, apropriam-se da celebraçom em base às dimensões que acada a festa (graças ao apoio municipal e ao idóneo de dispor dumha área de bom tamanho onde fazer os lumes mesmo ao carom da cidade) , no canto de buscar elementos diferenciadores ou incidir na ancestralidade da mesma.

Vive a festa enfim, bastarda e a se debater entre as interpretações identitárias locais e nacionais, as visões refolclorizadas e as invenções para apanhar turistas. E seguirá a mudar enquanto nom proíbam as fogueiras por motivos de segurança…

 

 

 

Lugar e nom cenário

Georges Dussaud, o fotógrafo que revelou a alma de Trás-os-Montes | Papel.

Falava há pouco, de novo sobre as olhadas lentas que se aplicam ao rural. As ruínas, as paisagens, os idosos, os planos fixos, a pobreza.

No entanto, há outros jeitos de olhar. Olhadas de trabalho, de festa, de dignidade. De gente nova e de lugares que se reconstroem e se atualizam. Sem obviar o baleirado progressivo, a sangria de gente, a estacionalidade da povoaçom, pode-se ver o rural como um lugar mais do que como um cenário.

Prejuíços e narrações

Cabeça de múmia revela ciência medieval avançada | Ciência Online – Saúde, Tecnologia, Ciência.

Nom descobro res. A História está escrita como umha narraçom, desde pontos de vista mais ou menos concretos. Nessa narraçom, como nom, há elementos força, ítens que ficam mais facilmente na imaginaçom, e que se vam transmitindo mesmo quando muda o paradigma dominante.

A Cultura Pop, os filmes, as BDs, constroem umha imagem sobre épocas passadas da que é difícil sairmos mesmo quando nos fazemos especialistas (e também a constroem sobre os outros: os imigrantes, os “indígenas”, as minorias, os homossexuais, as mulheres). Discursos.

Assim, adoro quando algumha cousa salta e racha essas conceições.

Emotividade e paisagem?

Umha das primeiras questões que tratei no blogue: Por quê algumhas causas conseguem rapidamente umha grande adesom social enquanto outras ficam esquecidas?
Há tempo que se estám a denunciar os problemas da minaria na Galiza. Coletivos e meios de informaçom cobrem a questom amplamente. Mas fai falha que apareça um vídeo com famosos a fazer um chamamento direto para que se batam marcas de reaçom (virtual, é certo). Por quê?
É porque afeta especialmente à paisagem? Trata-se da emotividade que transmite o vídeo? Será que realmente o território toca a fibra sensível dos galegos?
Conseguiria a ILP contra a incineraçom um eco semelhante de contar também cum vídeo?

Sei lá. Desde logo é para ter em conta de cara ao futuro…

Independências

Declaran República Independente a Illa de Tambo – Praza Pública.

Longe da minha intençom apresentar análises políticas ou extrapoláveis a outros ámbitos. O caso fai-me pensar.

Um território que botou muito tempo fechado, como foi Tambo, ocupada por militares, gera expectativas de futuro. Está o mistério do que havia ali, a sua condiçom de cápsula do tempo, a tentativa de reivindicar um vencelho emocional de gerações passadas que sim tinham a ilha como um espaço próprio e nom coutado.

Fronte à inaçom e ao mantimento do feche por parte das administraçomm, que deixa a Ilha como um território inacesível e fora da sociedade, reivindica-se o território como da gente, como paisagem própria dum coletivo.

Entom apresenta-se a independência de Tambo como resposta ativa à situaçom de abandono. Umha mudança de paradigma para um território. Transformar a inaçom em açom autogerida: Se nom o querem, se nom nos querem, que nos deixem fazer. Ao tempo, a reclamaçom pode servir para catalizar a açom coletiva, desenvolver novos vínculos entre as pessoas de destes com o território.

Até que ponto nom podemos fazer-nos todos nós repúblicas independentes, autogerir-nos? Poderá-se fazer o caminho do Courel a Compostela por terras libertadas (que dizia o Novoneyra) por diferentes pessoas e coletivos e de diferentes jeitos?. Empresas, cooperativas, associações, particulares, mancomunidades, vizinhos que reclamem como seu um território e o gerem. Há casos já.
E ainda mais, quanto poder de mobilizaçom tem o trabalho sobre território? Até quê ponto pode mudar a sociedade e a cada um de nós?

Porque afinal, quiçais o mais importante seja fazer os caminhos (todos) com os pés libertados.

A recuperaçom vangardista da tradiçom

Na sua aposta pola palavra escrita e a criaçom literária, a gente do Rexurdimento empregárom os medios do seu tempo para recrear a nossa cultura.
Por muito que abordassem temas da tradiçom e buscassem a autenticidade, realizárom umha seleçom de elementos, umha achega às modas do momento. Adoptárom formas e temas próprios do romantismo, recorrérom a mitos celtas a semelhança doutros movimentos europeus. Outorgavam-lhe características à nossa paisagem. Eram uns modernos (como logo foi, por exemplo, Risco) que reconstruíam a nossa tradiçom.
E nós relacionamo-nos, nom esqueçamos, com o seu discurso sobre o tradicional, o popular e o autêntico, antes do que com os elementos mesmos.

Do mesmo jeito, os músicos empregárom os novos métodos de gravaçom, os artistas seguiam técnicas e estilos contemporáneos. O cartelismo e o desenho fórom aliados do galeguismo nos anos 20 e 30. Dalgum jeito a historia da recuperaçom da nossa cultura amosa-se totalmente integrada na sua época, a aproveitar as suas possibilidades e a atualizar de jeito constante o discurso sobre a mesma ajeitando-se também as ferramentas intelectuais disponíveis no país a cada momento (e que nom sempre eram nem som as mais vanguardistas, é certo).

Logo disto. Pensémos. Quê é exatamente isto, isto ou isto?

Reivindicações do local e do particular ante um fenómeno global. Apropriaçom do discurso. Fusom. Introduzir o próprio na moda do momento. Customizar.

Sei lá.

O encanto das miniaturas

Miniatur Wunderland on Devour.com.

É claro que, como com os beléns adoramos construír mundos pequenos que retratam o nosso.

Lá tudo funciona à perfeiçom, totalmente engranado, sincronizado, tudo no seu lugar.
Nesses espaços o papel dos humanos, a nossa representaçom fica em maos dos modelos a escala das máquinas. Nom há pessoas (ou apenas estátuas). Som os comboios, aviões, carros e edifícios os que actuam no nosso lugar, os que nos representam, os que se relacionam, trabalham, cruzam.

Quiçais nom haja outro lugar no que nos projetemos mais nas nossas máquinas, no que lhes cedamos o protagonismo e lhes deamos o sentido de serem realmente nós.
Fascinados polos seus desenhos, pola sua eficiência, polos mistérios das suas formas e do seu funcionamento. Alheados delas e da sua criaçom ao tempo que alheados do mundo, jogamos a fazer espaços totalmente controlados no que tudo é um bocado mais como deveria ser, e olhamos para eles como para um paraíso que nunca imos pisar.

As praias construídas


El concello veigués mejora la playa de O Coiñedo


Praia fluvial do Lérez, Ponte Vedra.

Construímos praias fluviais com para-sois, areia fina, duchas e passeios de táboas. Repetimos nas beiras dos rios os protótipos da costa e do caribe. Logo virám as enchentes, a chúvia e levará a areia toda. Ou a sua acumulaçom modificará as correntes (como aconteceu no Lérez) e haverá que fazer novas obras para evitar que o rio coma as margens.

Será que ainda é a erva vista como um símbolo de atraso? Quê mal tenhem os prados como praias? Afortunadamente ainda há sítios que as conservam, embora em muitos casos talando as árvores da zona (de novo a ideia de que a praia tem de ser um espaço sem sombra).

Buscamos fora de nós estereótipos que reproduzir.

Beléns políticos

Acho que nunca como este ano adquirírom tal carácter político os Beléns no nosso país.

Já a finais de novembro Luís Rodríguez Patiño, párroco de Cambás entre outras paróquias (e destacado especialista na manipulaçom subversiva de celebrações tradicionais, com propostas como a tratorada sacra ou a misa de Entroido) apresentava um presépio precintado por desafiuzamento, umha proposta que logo seguírom os seus feligresses de Germade dando-lhe a volta de fazer que a virgem entregasse o neno por nom poder manter.

A isto sumou-se ainda o sequestro do neno Jesus em Compostela também como protesto fronte aos desalojos.

Semelha que, os galegos estám a se decatar do potencial comunicativo do belém, ao igual que o doutros espaços públicos, e o manipulam e empregam para trasladar os seus próprios mensagens.

Para além das propostas mais reivindicativas, está também a representaçom da atualidade nestes espaços como é o roubo do códice calixtino e mais o juíço a Isabel Pantoja em Valga ou a homenagem aos polícias afogados no Orçam na Corunha.

Eu este ano fum ver o de Begonte, perguntando-me como se reflectiria a sociedade tradicional em essa reconstruçom idealizada (porque os beléns galegos de envergadura ambientam-se maioritariamente na Galiza). Resultou-me rechamante a atividade frenética que aparez representada (é claro: um belém mecánico tem que amosar movimento). Centrado numha suposta aldeia tradicional (com amplas licenças arquitetónicas), todas as figuras aparecem a trabalhar, nom se reflite o ócio, e abrangue-se umha enorme gama de ofícios: forja, olaria, tecido, cuidado do gando, sega… (o que contrasta com outros retratos do mundo rural)

Descobrim logo estoutro projeto, que coincide em boa medida com a olhada, no qual até se representa um incêndio forestal como parte da paisagem aldeá (ainda que semelha que essa referência desapareceu nas reportagens disponhíveis no web da CRTVG ou estou eu confundindo o belém concreto)

Ainda se pode refletir sobre o jeito no que nos representamos a nós mesmos no Belém Vivente de Dacom, e como se integrou já desde as panxoliñas cara ao século XVII a representaçom do rural dos tempos de Cristo com o rural galego, algo no que incidem no de Somoças

Desde logo, acho que daria de sim analisarmos o jeito no que a nossa sociedade se representa a sim mesma. As idealizações da paisagem ou dos ofícios que podemos atopar em estas pequenas reconstruções de aldeias.

Engadido: Também se manipulam os desfiles de reis para denunciar. Umha actualizaçom nesta cita do velho jeito, aquele de, no seu dia fazer as coplas de burla a quem nom achegava os cartos para as festas de Reis, Aninovo ou Entroido…

ENGADIDO 2013:
Manifestações de playmobil no de Bandeira, e o Alvia de Angrois no de Valga.
E um repaso de belens em Sermos Galiza.