O Apalpador já é tradiçom?

apalpador_sargadelos

Sargadelos tem à venda (nom atopo versom web em galego) umha nova figura do Apalpador.

Como noutras propostas arredor do Pandigueiro, está a desaparecer o debate sobre a autenticidade da figura. Apresenta-se naturalizado, como uma lenda ou tradiçom galega. E para as crianças com certeza é: o tempo que passou desde que apareceu em cena nas cidades fai-no já “de toda a vida” para os mais novos.

Já há tempo que nom lhe dou volta ao tema, mas o facto de que Sargadelos, instituiçom agora livre de suspeitas reivindicativas (para além dum actual galeguismo amável que, como podemos ver, nom se preocupa nem por ter web na nossa língua) adopte também este emblema, fai-me pensar se já terá antingido o seu tecto de expansom.

É dizer. Nos primeiros anos de desenvolvimento, com o debate associado, estava por medir até onde podia chegar a figura, em quê jeito se poderia adoptar e quê valores levaria vencelhados. A multiplicaçom de propostas de merchandising e iconografia (bonecos, contos, obras de teatro e um bom feixe de produtos “do apalpador”), ou as actividades de animaçom cultural forom no momento tentativas de ocupar novos terreios ademais de representações que buscavam legitimar a figura e divulgá-la sobre esse fundo de debate.

Agora, podemos considerar o Apalpador normalizado? Cabe pensar que boa parte das representações e produtos que continuam a sair do carboeiro já nom buscam essa legitimaçom, mas que unicamente (caso Sargadelos) representam o que se considera umha lenda ou tradiçom própria do país. Até que ponto a míngua do debate lhe tira potencial subversivo à figura?

Ainda mais: A consolidaçom do Apalpador como algo “tradicional”, já nom discutido, limita-lhe alcance? É dizer, a figura fica agora vencelhada ao imaginário galeguista, quiçais ao nível da queimada, o baile tradicional ou a música. E só é mantida polos interessados em manter esses elementos.
Os detractores já nom precisam de a atacar umha vez que comprovam que fica restringida a esse mundo que em grande medida lhes é alheio, a “toleráncia” é mais efectiva do que a crítica directa.

Entom, desta altura em adiante, a expansom ou triunfo do Apalpador ficará vencelhado á expansom do pensamento (ou sentimento ou lifestyle) galeguista na sociedade? Ou seguirá-se a senda de Sargadelos e haverá mais empresas que apostem pola figura, já integrada como umha tradiçom mais de Natal?

SoPa de sobremesa. Quêm é a comunidade? #sopa14

NOTA PRÉVIA: Unicamente aponto ideias que me surgírom a raíz da participaçom no SOPA, ninguém o tome como umha crítica nem muito menos como um documento acabado. Apontamentos apenas.
Trabalhamos com a ideia de conseguirmos umha gestom patrimonial democrática e participada polas comunidades locais.
Consideramos, de jeito geral, que som os habitantes do contorno dum bem/complexo patrimonial, ou aqueles que partilham o seu significado (ou seja, aqueles que dalgum jeito geram identidade a partir do mesmo ou se identificam com ele), os sujeitos legítimos para atuar sobre ele, resignificá-lo e revalorizá-lo.

Se entendemos precisamente a ideia de património como um procomum, quêm decide até onde chega a comunidade? Fora da definiçom sociológica da mesma, onde pomos os limites de quêm tem direito a decidir sobre o património? E como podem fazê-lo?

1- Os que participam.
Tendemos a pensar em que é a toma de decisões assemblear, horizontal, informada e razoada a que legitima o sujeito.
No entanto, nom todo o mundo participa nos nossos projectos, e há diferentes jeitos de participar. Quê acontece com a gente que nom se integra? Com as que nom partilham esse jeito de decidir? Nom participa quem nom quer ou nom participa quem nom sabe/pode? Até que podo é o nosso labor facilitar essa participaçom?

2- Aqueles que participam de jeito “correcto”
Nom está todo património socializado em por sim? A aquiescência, a conformidade, a toleráncia som também jeitos de participar dessa gestom?

Até que ponto existe realmente a toma de decisões horizontal e democrática?, até que ponto nom se desenvolve em comunidades que possuem já estruturas e relações de poder prévia que determinam o jeito no que a gente participa em elas. (Há caciques, gente influínte, pessoas que nom se tenhem em conta, afinidades e ódios).
Ainda mais, a geraçom destas dinámicas pode favorecer a emergência de novas relações de poder (libertadoras ou nom) ou servir como apoio para status quo de desigualdade? (Alcaldes que podem ver afortalada a sua possiçom na comunidade mediante este tipo de actividades? comunidades de montes geridas de jeito caciquil?) quê consideramos umha comunidade informada?

Entom, somos nós, os técnicos, os que pomos esse limite? Desbotamos como ilegitima toda toma de decisom que nom se desenvolva de jeito horizontal? Deslegitimamos as instituições estatais e “democráticas” como agentes sobre o património? Nom limitamos entom o alcance possível dos efeitos? Podemos integrar agentes com diferentes poderes e diferentes jeitos de participar?

Do mesmo jeito, desacreditamos, por pouco democráticos, os jeitos capitalistas de utilizaçom do património? Negamos a sua mercantilizaçom, priorizamos a significaçom na própria comunidade do que a criaçom de ofertas turísticas? Quer dizer, se esse é o interesse da comunidade, devemos inibir-nos? Até onde?

3- Quem obtém identidade do bem/complexo patrimonial?

Nom só a comunidade local se identifica com cada elemento. Pode acontecer que pessoas além do lugar concreto tirem de ali elementos identitários. Seja como consciência dumha questom nacional, por identificaçom cumha época concreta, por gostos estéticos, por simbolismos religiosos, polo que for, há pessoas alheias ao local que dalgum jeito geram a sua identidade arredor do bem (pense-se, por exemplo, em Stonehenge). Há voluntários e trabalhadores que colaboram na iniciativa e que integram nas suas vidas os elementos, os próprios técnicos, investigadores e especialistas geram a sua identidade como tales a partir também da sua relaçom com os bens e as comunidades que os acompanham. E também estám os turistas, os empresários a gente que se interessa desde a distáncia e que, como olhamos cada vez mais, pode mobilizar-se de jeito importante arredor dum bem.
Entom, quêm pode e nom pode decidir ao respeto?

(continuaremos)

 

SoPa de sobremesa. Questões sobre a mobilizaçom patrimonial

(Sem ordem nem organizaçom, como corresponde a um quaderno de apontamento, tentarei ir recolhendo pensamentos e ideias que surgem a raíz da minha particiaçom no SoPa14)

“O mais importante ao falarmos de património e comunidade é a comunidade”, dizia Sabah (penso) nalgum momento do encontro. É claro. Já tenho apontado por aqui o potencial mobilizador do património, para mim mais intuído do que verificado, e o Congresso nom fixo mais que apontoar a ideia. Falamos dum elemento que possue nos nossos dias umha enorme capacidade para gerar identidades, empoderar grupos, activar participações e tudo o que se quiger em esse sentido.

Aparecem-me à volta destas possibilidades diferentes questões que agardo ir debulhando, especialmente em torno ao papel do técnico ou mediador (quêm sinala quê é importante?), dos jeitos em que se artelha a participaçom (quêm decide quê jeito de participaçom é ajeitado? só é aceitável aquele que se desenvolve em teóricos mecanismos assembleares?) e, em geral onde fica a legitimidade para agir e activar o património com fins sociais (onde fica a comunidade? vai para além do local?).

Nom está acaso sempre socializado o património? Nom existe acaso sempre um certo consenso (inestável e contraditório, como todos) já no jeito no que umha comunidade o considera? Outorgar-lhe de jeito tácito a ruínas e lugares que perdérom a sua funçom original outras funções de espaço periferico resulta também um jeito de socializar, de outorgar-lhe um papel no seo da comunidade, já seja para o consumo de drogas de diversos tipos, como espaço segregado para grupos de idade (crianças e adolescentes),  ou lugar para practicar sexo.

Iremos-lhe dando voltas.

O jogo periférico (II)

De jeito paralelo às mudanças estruturais no jeito de jogar, a mercantilizaçom dos jogos e brinquedos e a sua crescente mundializaçom e integraçom das indústrias do entretimento leva a que os jogos se acabem desenvolvendo sobre referentes culturais afastados. Assim entrárom nas nossas cidades o baseball, popularizou-se o basket e vemos como normal a celebraçom do Halloween. Ainda mais, olhamos os nossos cativos e cativas jogar a personagens televisivos, recriando os heróis vindos de américa. E nem tem por quê ser tam mau, nem tam determinante, podemos debater noutro momento até que ponto contamos sempre histórias semelhantes, como analisou Propp. Quiçais seja mais importante decatarmo-nos dos silêncios que se geram nos discursos sobre os que se desenvolve o jogo.

Se bem é singelo atopar o papel de heróis e de princesas nos mídia, papeis que noutros tempos se atopavam na vizinhança, nas histórias ouvidas na escola e na igreja, nos contos narrados na casa ou nas histórias que chegavam nas feiras, aparecem ausências importantes: nom há papeis periféricos, nem espaços periféricos nas representações que alimentam os jogos. Deportistas, luitadores, americanos vários tiram as posibilidades de que jogo seja umha escola de identificaçom com o contorno imediato. Nom há labregas nem trabalhadoras protagonistas. Nom aparecem os referentes do contorno imediato que nos permitam identificar-nos com figuras próximas. Por nom falar das línguas nas que se desenvolem os exemplos e que se acabam reproduzindo no jogo.

Fica pendente recuperarmos esses espaços periféricos. Podemos, por exemplo, dignificar o trabalho agrário desde a infáncia para aquelas crianças que habitam áreas rurais. Reivindicar o agro como imaginário para os jogos, situando-o no mesmo plano simbólico do que mundos afastados. Conheço um rapaz que só queria um tractor com pá escavadora e rotoempacadora, e nom deu atopado em tenda nengumha da sua contorna.Nom poder jogar com referentes do contorno mais imediato, nom é um primeiro passo de alheamento do mesmo?
Tentemos criar opções de jogos, de narrativas, achegadas. Tenhamos os nosso próprios personagens e heróis. Aplique-se o conto á língua e à cultura em geral. Por ai vai a ideia do Projecto Barriga Verde 😉

O jogo periférico (I)

Ai atrás veu-me à cabeça a ideia do jogo infantil, sobre tudo o chamado tradicional como actividade socialmente periférica.

Afastado em princípio do sistema produtivo (embora serve para definir os roles e as actitudes que logo deberám dialogar com esse sistema), é executado por seres periféricos (crianças) numha sociedade que tem no adulto masculino o seu eixo. Ademais, desenvolve-se (sobretudo de jeito tradicional) em espaços periféricos que nom tenhem usos produtivos: Prados, ruínas, praças, ruas pouco transitadas. É dizer, nas margens do sistema. Antón Cortizas lembrava acertadamente que é nas vilas onde melhor se mantenhem os entretimentos tradicionais. A existência de grupos de nenos, que já nom há nas aldeias, suma-se à conservaçom espaços mais ou menos livres nos que poder jogar.

Fronte a estas formas semelha que sofremos, como em tantos outros ámbitos, um proceso de controlo crescente. A introduçom do jogo na escola, a sua transformaçom em deportes regulamentados, a criaçom de espaços acotados e guiados para os jogos em parques e infantários ou os esforços pola sua inclusom na cadeia de produçom-consumo mediante videojogos e brinquedos industriais som exemplos destacados desta linha.

A questom é que estám a desaparecer dum jeito acelerado as formas de jogo “comunitárias” (acô outro estudo a ter em conta sobre o tema). Nom falo apenas dos entretimentos que se deixam de jogar, mas do próprio jeito de se relacionar entre as crianças durante o proceso. A criatividade própria da improvisaçom dos jogos, a manipulaçom da contorna para construír os próprios joguetes, os procesos comunais de toma de decisões ou os debates sobre as normas (e o jeito no que se observam ou nom) som algumhas das cousas que minguam ou desaparecem fronte a jogos fabricados e com normas claramente definidas. Mesmo sem sermos catastrofistas e reconhecendo que sempre (sempre) há possibilidades para a criatividade e reinterpretaçom, mesmo nas actividades mais regulamentadas, e mais em este ámbito, sim que semelha haver mudanças nas relações sociais da infáncia. E semelha que, como em outras questões, é na periferia onde é possível umha maior liberdade.

Umha boa mostras é este interessantíssimo estudo sobre a movilidade das crianças que amosa o jeito no que se reducírom os seus espaços de autonomia ao longo do último século (de seis millas a 300 jardas no exemplo). Atopamos entom umha diminuçom progressiva do espaço de acçom e da autonomia das crianças. Isto semelha aparelhar uma míngua similar do que consideramos “zonas seguras” para que transitem o qual, ao tempo, pode transmitir a ideia dum exterior “perigoso” que com certeza há condicionar a sua visom do mundo.

A existência de grupos de diferentes idades, nas que os maiores cuidam e ensinam (e abusam, e fam bulra) dos pequenos, som um fenómeno estranho nas cidades, e mais nas aldeias. Tenhem-me feito notar as urbanizações, com os seus espaços acotados, como novos espaços de actividade que permitem a formaçom de bandas de crianças com certa liberdade sempre dentro duns limites físicos e sociais (teórica compossiçom social homogênea dos habitantes). Em relaçom à autonomia espacial, o grupo revela-se, até certo ponto, como garante de seguridades para os máis novos ante os adultos: há membros nos que confiar, miram uns por outros. E isso permite também umha maior autonomia, umha possibilidade de espaços afastados dos adultos: A maior liberdade é possível só com outros, em companhia (mais umha liçom que se pode obter desse jeito de jogar).

Ainda mais, o jogo tradicional dá-lhe umha nova utilidade e mesmo pode ajudar ao mantemento de áreas periféricas abandonadas (desbroce, construçom de cabanas, cuidados de ruínas), resignifica lugares, desde umha velha escola até um antigo castro e dam-lhes um valor vencelhado ao lúdico (“onde jogam os nenos”).

Quê estamos a perder como sociedade? Como vam ser os nenos criados sem rua? Haverá muita diferença? Podem as relações que se desenvolvem no marco da escola suplir a anarquia dos grupos de jogos?
Até que ponto imos mudar?

Actualización: Peter Gray explica isto tudo muito melhor do que eu em este artigo.

Distintas olhadas sobre a arte

Jorde a polémica em Portugal polo jeito em que se restaurárom 13 figuras de culto do século XIX. A populaçom local amosa-se contente com o resultado e, como elemento novidoso num debate deste tipo, um restaurador profissional defende o seu trabalho com estas peças. Sem defender a sua actuaçom, gostava de o ouvir polo miúdo.

Para mim, como tenho comentado em outras ocasiões o caso amosa as diferentes perceições sobre a arte e o patrimônio.
Embora nom conheço polo miúdo a visom do restaurador, a nível popular, acho que predomina umha visom de “uso” destas figuras para o culto. A gente quer ver os santos “bonitos”. Em esse bonito semelha que se integram modelos mediáticos e “pop” de escultura contemporánea: o cartom pedra, os bonecos das falhas, as figuras de disney, os anúncios de bares, os objectos decorativos.

Nom há, nem possivelmente nunca houvo, unanimidade na perceiçom da arte na sociedade. O que as elites aprezavam e desprezavam nom era o mesmo do que o povo gostava. Havia, é claro trasvasses nos dous sentidos, e com o tempo modelos de esculturas “cultas” acabárom integrados no gosto popular. E hoje tenhem um valor de uso, nom apenas estético: nom só unicamente peças “para se conservar”.

Podemos debater quêm tem o direito a intervir nas peças, até que ponto os seus proprietários ou legatários podem decidir o quê fazer com elas ou como se podem conservar melhor. Mas devemos ser conscientes de que o patrimônio material tem usos, e que é fundamental contemplá-los como parte de qualquer acçom sobre o mesmo, como parte dum patrimônio imaterial vencelhado ao mesmo que se deve valorar, conservar, redefinir ou contextualizar.
Se nom, corremos os risto de que as peças fiquem apenas como objecto sem sentido no seu contexto imediato, que se perda o seu sentido.

Sinalar é dar existência

ADEGA, Ríos con Vida e AGCT descobren 45 km de ríos sen identificar no PXOM de Lugo

Aquilo que nom é reconhecido oficialmente nom é patrimônio. Deixamos nas maos das adminstrações as ferramentas para o definir e, polo tanto, o construír.
Apenas iniciativas de acçom social, como é este caso, podem contrarrestar o discurso vertical em esse sentido e patrimonializar e reivindicar elementos.

O patrimônio para grande parte da sociedade é aquilo que está sinalizado, reconhecido, restaurado, é explotável turisticamente ou em ocasiões, pode ser motivo de orgulho. Se nom cumpre essas condições nom é patrimônio.

O regato ao que o concelho nom fai caso nom pode ser patrimônio. Os muínhos e os lavadoiros nom reconhecidos nem sinalizados nom som patrimônio. Se acaso som impedimentos para a edificaçom, obstáculos em relaçom a outras actividades.

Nom podemos esquecer, no entanto, que existem usos e reinterpretações contínuas dos espaços e dos bens patrimoniais, embora os mesmos nom sejam explícitos nem actuem como reivindicações ante a administraçom: Verter lijo, limpar as cubas do purim, espaços periféricos de recreio ou de introspeçom, vivendas precárias.
Ao marcá-los publicamente, a o denunciar, esses regatos ganham entidade, fam-se elementos cuns valores em si mesmos que, ademais, estám protegidos pola lei.

Com casos como este verifica-se o efeito e as possíveis causas do desconhecemento.
O nom reconhecimento oficial dá via livre. A lógica capitalista das construçom e a exploraçom do território como jeito direto de benefício impom-se fronte a outras considerações.

Na reivindicaçom patrimonial, no entanto, joga também em boa medida esta mesma lógica. A possibilidade do patrimônio como recurso económico de exploraçom indirecta. E presta-se também a certas perversões.
Temos recursos para proteger tudo? Para quê o queremos proteger? Quê usos se lhes podem dar a esses elementos? As limitações que impom essa protecçom para outros usos pode ser contraproducente de cara à perceiçom social destes bens? A síntese está por fazer, mas desde logo as visões enfrontadas nom partem dumha igualdade de condições em relaçom ao poder. E o que se destrua nom vai poder ser reutilizado ou reinterpretado no futuro…

O valor dos engadidos como patrimônio

No seu momento, construír um local com feitio de castelo onda os restos dum castelo autêntico era aceitado como um jeito de pôr em valor, de visibilizar um monumento.

Hoje, em Vigo considera-se esse engadido como umha mistificaçom que deve ser derruvada.

E chega um inglês a reivindiacar o valor desse edifício por sim mesmo, merca-o e vai-no reconstruír em Gales. Ademais, anúncia o seu interesse na intrahistória do próprio local, em conhecer a sua origem e funcionamento, e denúncia que em Inglaterra os responsáveis da demoliçom dum edifício assim iriam à cadeia.

Com certeza, se o edifício nom estivesse onda restos de maior antigüidade, teria ocasiom de contar cumha maior protecçom institucional, como outras construções na mesma cidade (com a mesma, bem pode ser que nom).

Estamos num momento no que se segue a considerar o patrimônio a partir das peças em sim, congeladas num momento concreto. Pode-se reconstruír um castelo (ou mosteiro, como em Carboeiro) mas cómpre despojá-lo de elementos que nom se correspondam com a sua época. Se um claustro serviu de corte, isso nom pode ficar em evidência na posta em valor (agardemos a ver como fica Pambre). De cara à gestom institucional, os monumentos som unicamente o que forom num momento concreto, embora a sociedade lhes fosse dando usos com mais ou menos respecto.

Poida que com o tempo vaia mudando essa visom, e se passe a considerar os bares e os solos de cemento, os esforços por restaurar a base de formigom ou integrando numha casa os restos do paço, que as cortes nos claustros e as pegadas da história social desses monumentos passem a fazer parte também do que se pensa que é necessário proteger…

Completar os sonhos?


http://jfchas.blogspot.com.es/2011/04/sanatorio-de-cesuras.html


El sanatorio pierde la sombra – La Opinión A Coruña
.

Aí atrás falavam de proteger o traçado dum tranvia que nunca chegou a funcionar. Em Oça-Cesuras, apostam por completar umha obra que nunca se acabou como jeito de a patrimonializar.

O antigo sanatório de tuberculosos, ruína no meio dum bosque, adquire valor, para as autoridades, ao eliminar as árvores e completar o edifício para lhe dar umha utilidade. Reconhece-se a sua importáncia arquitetônica,  mas vencelhada a um uso, nom por sim mesma.

Para mim tinha o seu valor como ruína incompleta desde a que olhar o bosque, as edras, o entulho que o cobria. E podia ser essa (nom seria o único lugar) umha opçom para o patrimonializar. (A julgar por Google Images o lugar já tinha umha certa funçom como estúdio fotográfico)
.
Mas, enquanto as ruínas de castelos e de castros som (quase) intocáveis e nom se impom para eles a opçom da reconstruçom (nom é o caso de Carboeiro), sim que se vê mais normal completar estruturas mais recentes. Quiçais porque som mais facilmente adaptáveis a algum uso. Quiçais porque nom lhes temos ainda o mesmo respecto.

 

Os sonhos como património

Varias alegaciones reclaman que el PXOM ponteareano conserve el túnel del tranvía – Faro de Vigo.

Proteger elementos que nem chegárom a ser o que iam ser. Polo sonho que representárom, polo outro mundo possível que testemunham. Já nom apenas polo que figérom em eles, com eles, os nossos antepassados, mas polo que lhes puido supor de sonho.
Um trajeto polo que nunca foi tranvia nengum, um fracasso doutra época reclama-se agora como testemunho do que foi um lugar, do que poderia ter sido.