Outro jeito de suicídio

Acho que será difícil de entender se digo que a culpa da vaga de lumes é de Catalunha.

De aceitarmos que nom há umha conspiraçom terrorista por trás, do mesmo jeito que aceitamos que nom a houvo na vaga de 2006, a conexom nom é tam difícil.

Para mim os lumes som apenas umha febre da nossa enfermidade: o trauma colectivo da transiçom brusca dum sistema social agrário tradicional ao postcapitalismo.

A mesma enfermidade que nos leva a estar à cabeça de suicídios do estado, a mesma que nos fai nom nos reproduzir, a mesma que nos situa entre os que mais psicofármacos consumimos.
Há quem opta por prender-lhe lume a todo “e ao caralho”. Ao nom entender o que acontece, ao ver que nom val para nada o trabalho que levou toda umha vida e as vidas anteriores, ao comprovar que nom há saída ou que nom se vislumbra.

No meio desse delicado panorama, toda inestabilidade extra contribue. Em 2006 um novo governo na Junta. Agora, a possibilidade de que Catalunha vaia embora, que mude o sistema, mais um medo inconcreto.
Em caso de dúvida, suicídio ou lume.

(Isto combina-se, como nom, com desleixo, com umhas políticas públicas orientadas ao grande capital e contrárias ao mantemento de povoaçom no agro, medidas deficientes de gestom do monte, incompetências várias… ou seja, o facto de prendermos lume é um síntoma da nossa enfermidade, votar a estes também, mas que arda como arde, é culpa do PP, nom nos enganemos)

PS: Altamente interessante a liçom de comunicaçom política de Feijoo ao respeito. Localizar culpáveis externos (Portugal, circunstáncias ambientais, criminais homicidas), vacinar contra a crítica (quem critique os meios está a atacar a pessoas que ponhem em risco a sua vida), vacilar de apoios estatais (chamada do Felipe e envio de recursos do ministério) e diluir responsabilidades cum chamamento à colaboraçom cidadá (que a administraçom nom tem meios para gerir). Nom tem culpa nengumha. E, curiosamente, fai-lhe melhor trabalho La Voz que a própria web da Junta

Novos mitos

Fonte: La Voz de Galicia

Fonte: La Voz de Galicia

Reconheço que adoro as intromissões da fantasia na realidade. É por isso que me parece tam interessante esta nova sobre a apariçom dum graffiti cum símbolo de Harry Potter num dólmen viguês.

Primeiro de tudo: é umha animalada. Dito.

Agora tento explicar por quê acho interessante.

1- Equipara um elemento histórico patrimonial cum símbolo fictício de cultura pop.
Há algo poético aqui ou? Um reclamar o gosto popular fronte á cultura oficializada, sancionada e pétrea. Dizer que é tam real para alguém os símbolos dum conto como umha construçom que leva cinco milénios ai chantada e que tem a sua aura de magia e mistério.

2- É umha crítica irónica ou é umha canle de espiritualidade?
É dizer: A ideia do autor era fazer essa crítica e equiparar dolmen com Harry Potter ou realmente a pessoa canaliza em esses símbolos a sua vissom de sacralidade ou espiritualidade. Também nom é nada novo.

Do mesmo jeito que citamos o “Ne vus sanz mei, ne mei sanz vus” de Tristán e Isolda ou que as lápidas de Tolkien e a mulher rezam “Beren” e “Luthien”, levamos séculos a nos identificar com as histórias de ficçom, poemas e canções, empregamo-las para gerir os nossos afectos e crenças e dizer o que queremos. Muitos de nós identificamo-nos com estas criações mais do que com símbolos oficialmetne sancionados como a religiom. Pensemos an Força de Star Wars e em toda a gente que agora já se define como Jedi.

Nom me resulta tam alheio entom o facto de que alguém poida sentir que esse símbolos tenhem poder, que viva o facto de os inscrever num monumento megalítico de 5.000 anos como um acto mágico.

3- Novos mitos?
Nom se trata de símbolos wiccan, nem satánicos, nem trísceles nem outros elementos que se podem considerar mais ou menos inseridos numha tradiçom culta da magia. Estám Harry Potter, ou Tolkien, ou a Força a se constituír como novos mitos? Se pensamos que afinal todos os mitos nascérom como criações de ficçom e que foi a sua adopçom social o que lhes deu o seu carácter sacro, também nom é tam estranho. A muitos há-lhes parecer mais normal entoar o Esconjuro da Queimada como símbolo identitário galego, ou falarmos de meigas e de churrasco como símbolos nacionais cando também som invenções bem recentes.
Cómpre sermos conscientes também de onde venhem os referentes para estes novos mitos, e se devemos ser quem de contarmos com mitos próprios de cara ao futuro (e quem os está a promover).

4- A própria narraçom do facto
No jornal atopamos tanto espaço dedicado á explicaçom dos símbolos fictícios como a falar da importáncia do monumento megalítico. A nova equipara também os elementos fictício e patrimonial.

Dá para muito pensar. Sinto-o pola mámoa, mas parece-me altamente revelador.

(Para mais info, revelám-me que o suposto 7 na realidade é a Marca de Caím da série de TV Supernatural XD

A identidade que vém

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Apenas é mais um síntoma, mas acho que este mapa resume em boa medida umha perspectiva de identidade galega que está a se afiançar nos últimos anos. A gastronomia, o rural, as vacas (que também as há em Astúrias, ou em Suíça p.ex), certas iconas tradicionais e as festas de interesse turístico, mesturadas com algumhas pegadas históricas emergem como riscos definitórios. E a língua fica reduzida a mais um souvenir, a um elemento folclórico mais, um produto simbólico que se exprime unicamente en quatro palavras icónicas. Resultado em grande medida dum olhar alheio, esta récua de ideias está a ser, no entanto, apropriada por umha boa parte da povoaçom.

Ai temos bons exemplos. Umha identidade feita à base de enumerações, sem artelhar entre sim nem exigir coerência, em possitivo, de anúncio.

Para além da interpretaçom dumha certa alienaçom coletiva (que acho nom é muito produtiva), acho que esta perspectiva amosa umha certa madureça da nossa sociedade (de entendermos madureça como assimilaçom à visom occidental e urbana). O peso nacional deixa de ser determinante na configuraçom da identidade individual e passa a se considerar um vetor mais com o qual se definir entre muitos outros. A identidade passa a se jogar dum jeito diverso, no qual compre tomar posse sobre como se sente o país, mas sem que essa questom vaia cumprir um papel fundamental.

Aliás, ao ser ainda a nacional umha identidade conflitiva (de cara á propria pessoa, ao exigir coerências como a da língua ou determinadas escolhas de consumo cultural, como de cara a outros que nom a compartem), acaba se gerando umha proposta “nom conflitiva” de identidade que permite sentir-se galego e estar orgulhosos (ou avergonhados) sem ter que apanhar o “pack completo”. Sem música tradicional, sem vivência direta do rural, sem ler autoras do país, sem falar galego (como amosam alguns dados deste interessante estudo). Como já dizia há tempo, o galeguismo passa a ser um estilo de vida, umha opçom individual se definir como pessoa entre muitas outras, como os gostos musicais, a roupa, os hobbies ou o trabalho. Isto tudo numha sociedade na que os indivíduos buscam, polo geral, identidades nom conflitivas e que tenhem com elas que procurar respostas (perspectivas) ante situaçom geral de despovoamento e extinçom (quiçais tenhem já problemas abondos como trabalhadores precários como para engadir também outras luitas).

Isto está a ter também o seu reflexo na evoluçom da esquerda política no país, e na possiçom que a identidade ocupa nos programas. Ou na “exigência” dumha determinada identidade pola cultura política de partidos concretos.
Mais plural, fluída, menos categoricamente galega. Velaí a identidade que vém.

A ideologia é questom de gostos

Penso que, mesmo nesta altura da vida, e por muito que elaboremos as nossas ideias gostamos de cousas de jeito mais bem primário. É depois que construímos justificações ideológicas. Definimo-nos como de esquerdas, hipsters, culturetas, conetamos com ideias semelhantes, deixamo-nos levar por gostos de arredor. Mas acho ainda que as afinidades começam de jeito primário. Que é por atoparmos sensações da infáncia, respostas a angúrias íntimas, lembranças a momentos vividos em certo discurso/produto/livro/filme/ideologia/grupo que o adotamos e nos identificamos através dele.

Assim integramos o nacionalismo como umha defesa da aldeia da nossa nenez, como se estivéssemos a defender os nossos avós através das reivindicações. Mesmo que afinal saibamos que nom é exatamente isso o que imos conseguir, de conseguirmos algo. Na mesma, som os gatos, cans, vacas da nossa vida os que se agocham no nosso discurso animalista, e as paisagens primeiras, e polo tanto para nós incorruptas que conhecemos nos passeios em bicicleta na puberdade as que tomam forma na nossa luita ecológica. Conetamos sem sabermos bem por quê com cousas que na realidade nos falam doutras histórias. As nossas rebeldias primárias, a sensaçom de poder quando nom comemos o que nos dam ou nos negamos de crianças a repartir os bicos que nos pedem estám ai nas nossas escolhas. O consolo dum lugar. O agarimo dado na língua na que nos falou alguém. Do mesmo jeito, quantas más experiências cumha pessoa concreta marcárom para sempre de jeito negativo a sua ideologia e os seus gostos para nós.

Afinal, queiramos ou nom, mantemos preferências emotivas inconscientes polas cousas, por todas elas, lá no fundo. Cores, materiais, objectos. O número 2 mantém para mim o engado de quando pequeno, agarimoso fronte à fascinaçom pola estranheza do cinco, a agressividade do 3 ou a atonia do 4. Do mesmo jeito, há recantos, sons, céus, momentos que espertam diferentes sensações. E aí também as ideias, os personagens, as declarações. Filtramos também a gente no mesmo critério, por muito que logo elaboremos a nossa reaçom, e mesmo possivelmente integremos cada nova pessoa conhecida num catálogo limitado de arquétipos que elaboramos na nossa infáncia (primeiras amizades, companheiros de escola…).

Assim, dalgum jeito atua umha estranha sinestésia na base da configuraçom da nossa identidade. Acabamos por nos definir em questões derivadas daquela conexom primária, adotamos o construto teórico ao completo sem nos decatar, afinal de que apenas estamos (sempre) a luitar de jeito estranho
contra aquele eterno inimigo que é o tempo
na busca dum refúgio.

Narrar alternativas (algo óbvio)

De conversa sobre questões de género e outras, perfilamos (obrigado Isa), algumhas necessidades.
Nom abonda apenas com fazermo-nos conscientes da problemática e, a partir disso tentarmos reconstituír novas relações (embora é algo imprescindível).
Nom todos podemos (ou queremos) ser conscientes de tudo. Haverá que aposte por se conscienciar, comprometer e trabalhar a sua relaçom com o meio, a língua, o género, os animais, a autogestom ou com a alimentaçom. Mas nom podemos confiar unicamente nas consciências indivíduais sobre as diferentes problemáticas para mudar todas essas injustiças e discriminações.

Para construírmos novos jeitos de sermos e de estar com o planeta ou os outros, precisamos também gerar ferramentas que acheguem esses modos alternativos: narrações e histórias que, dum jeito menos consciente, facilitem às pessoas adoptar diferentes possições sem necessidade de as pensar muito. Contar novas histórias sobre relacionamentos alén dos estereótipos de Hollywood, amosar protagonistas diferentes. Nom se trata apenas de histórias que questionem as situações actuais, mas também exemplos mais facilmente adoptáveis e com os que nos poidamos identificar.

Empregarmos enfim ferramentas subliminais de educaçom com a que os sistemas actuais chegárom a se impor (e que também estám presentas tradiçom), sem exigir a todo o mundo (embora fosse ideal) plena consciência e deconstruçom dos seus comportamentos. Amosar outras maneiras possíveis de ser.

Há propostas nos ámbitos mais variados e mais ou menos debatíveis (na BD americana, na fotografia, no cinema, na escrita… mas falta muito ainda por fazer. E sim, compre fazer ficções, tenhem o seu poder, e resulta algo óbvio mas achei interessante apontar para lembrar.

Actualizado: Um exemplo aqui

O Apalpador já é tradiçom?

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Sargadelos tem à venda (nom atopo versom web em galego) umha nova figura do Apalpador.

Como noutras propostas arredor do Pandigueiro, está a desaparecer o debate sobre a autenticidade da figura. Apresenta-se naturalizado, como uma lenda ou tradiçom galega. E para as crianças com certeza é: o tempo que passou desde que apareceu em cena nas cidades fai-no já “de toda a vida” para os mais novos.

Já há tempo que nom lhe dou volta ao tema, mas o facto de que Sargadelos, instituiçom agora livre de suspeitas reivindicativas (para além dum actual galeguismo amável que, como podemos ver, nom se preocupa nem por ter web na nossa língua) adopte também este emblema, fai-me pensar se já terá antingido o seu tecto de expansom.

É dizer. Nos primeiros anos de desenvolvimento, com o debate associado, estava por medir até onde podia chegar a figura, em quê jeito se poderia adoptar e quê valores levaria vencelhados. A multiplicaçom de propostas de merchandising e iconografia (bonecos, contos, obras de teatro e um bom feixe de produtos “do apalpador”), ou as actividades de animaçom cultural forom no momento tentativas de ocupar novos terreios ademais de representações que buscavam legitimar a figura e divulgá-la sobre esse fundo de debate.

Agora, podemos considerar o Apalpador normalizado? Cabe pensar que boa parte das representações e produtos que continuam a sair do carboeiro já nom buscam essa legitimaçom, mas que unicamente (caso Sargadelos) representam o que se considera umha lenda ou tradiçom própria do país. Até que ponto a míngua do debate lhe tira potencial subversivo à figura?

Ainda mais: A consolidaçom do Apalpador como algo “tradicional”, já nom discutido, limita-lhe alcance? É dizer, a figura fica agora vencelhada ao imaginário galeguista, quiçais ao nível da queimada, o baile tradicional ou a música. E só é mantida polos interessados em manter esses elementos.
Os detractores já nom precisam de a atacar umha vez que comprovam que fica restringida a esse mundo que em grande medida lhes é alheio, a “toleráncia” é mais efectiva do que a crítica directa.

Entom, desta altura em adiante, a expansom ou triunfo do Apalpador ficará vencelhado á expansom do pensamento (ou sentimento ou lifestyle) galeguista na sociedade? Ou seguirá-se a senda de Sargadelos e haverá mais empresas que apostem pola figura, já integrada como umha tradiçom mais de Natal?

Um sonho que se fai

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Case esqueço sentir-me ledo. Quase esqueço a maravilha. Mas quando espertei, no meio da noite, veu essa sensaçom. Hoje é um grande dia.

Há como uns 15 anos descobrim a história de Barriga Verde e dos Silvent no primeiro número da revista Bululú, e aginha fiquei fascinado, como sempre acontece as primeiras vezes que atopas num livro umha memória que contava à avoa e à que nom lhe deras especial importáncia.

Desta volta também, Barriga Verde era história de Hermínia, da sua infáncia lá polos anos 20 e 30. E era também lembrança dos meus pais, nos 40 e primeiros 50, em Noia. “Morreu Barriga Verde, acabou-se a peseta”, diziam. E agora estava ali a história misteriosa daquela gente que entretivera aos meus maiores, dalgum jeito salvada e recuperada.

Aos poucos forom aparecendo cousinhas. Um texto de Dosinda Areses, artigos de Xaime Iglesias em Cedofeita. E eu ia contando na casa as descobertas. Que José Silvent aprendera galego em Portugal. Que vivira em Lérez, ali a poucos quilómetros da nosa casa. Que o que era umha memória familiar resultava ser umha memória social, compartida por gente de todo o país.

Era ademais a história dum empresário que apostava polo galego, sendo estremenho. Era o conto do teatro na nosa língua baixo o franquismo. Era a lenda daqueles bonecos que batiam no cura. Era aquele títere que era o mesmo por toda Europa com diferentes feitios desde havia séculos. Sem saber bem qual era, eu remoia o potencial daquelas memórias.

E sonhei em revivi-las, que mais gente as conhecesse. Como se assim lhes digesse aos meus velhos que o que eles lembravam nom era apenas um conto de crianças. Que era algo importante, um fragmento de memória e de identidade colectiva. Umha cousa mundial. Um berro em tempos de silêncios. Expossiçom, merchandising, recuperar memórias, publicar livros. Escrever na rede. Berrar onde for que Barriga Verde estivo e está ainda aqui, convencido de que haviam aparecer ecos e mais ecos.

E fum atopando polo caminho gente que tinha esses sonhos também. Assim dei com o Pedro, que amou o conto e armou um documental. E em esse proceso, também se fascinou a Comba. E aparecérom os Viravolta e a sua velha teima de reconstruír umha barraca. E o Xaime continuou calado o seu trabalho a recuperar a memória dos Silvent em Lérez. E mais gente que também viu a vida que gardava aquele títere dentro da cabeça de madeira.

E foi graças a eles todos que o sonho comum colheu forma. Nom fum eu quem o fixo realidade, afortunadamente. Teria sido muito triste construír sozinho um sonho, e de certo nom seria quem, como nom fum quem em todos estes anos. Forom eles todos os que me dérom a graça de construírmos juntos esta aventura. E há um documental, e um web, e umha barraca e umha obra em marcha, e livros, e actividades… e Barriga Verde vai resoando.

E hoje mesmo, esta tarde, abre as suas portas aquela sonhada expossiçom, logo de quinze anos. Nom fum eu quem o fixo possível, mas hoje espertei e (quase me esqueço), decatei-me de que era tempo de me sentir feliz. Porque está a se fazer possível. O mundo deu-nos um bocado de razom, e demostramos que Barriga Verde ecoa com força lá por onde se berra o seu nome. E que se podem fazer cousas, que se podem mudar um bocadinho, que se pode chegar longe a partir de apenas umha ideia. E, no proceso, medrar.

Obrigado.

A contradiçom do trato aos animais

Cavilo en quando em quando, na relaçom contraditória que se dá no trato aos animais na sociedade tradicional/rural. Embora poidamos pensar que os animais de companhia som produtos esencialmente urbanos, acho que também no agro existem relações afetivas com os bichos com os que se convive, embora estas permaneceram integradas num marco de utilitarismo. Isto gerou e gera umha série de contradições que se revelam de diferentes jeitos.

A contradiçom na matança
Em esse sentido, penso que a matança amosa de jeito mais evidente umha contradiçom, latente noutros casos, entre o emprego utilitário dos animais e o afeto que se lhes colhe na casa. É dizer, sempre se dá umha certa identificaçom do ser humano com o animal como ser vivo e sentinte, e mesmo se valora a sua companhia. Para além da maior ou menor centralidade que este sacrifício poida ter ou tivo no passado, é habitual, a falar sobre este processo, que apareçam as histórias sobre “o bom que era o porco” ou “o inteligente que era” (ao jeito que recolhe o genial Davila no quadrinho superior) ou a mágoa que dá o matar. De jeito semelhante, aparece sempre o comentário sobre os berros do animal, e os casos de gente que nom gosta da matança.

Porco, animal de companhia
Assim no porco há testemunhas que achegam a sua figura ao de animal de companhia, como é o caso de Quinín. Ou o distingo que se fai, por extraordinário, com o javali Cosme, que foi mascota no canto de prato.

Espécies
Para além do porco, que segundo a espécie há um maior ou menor respeito e afeto polo animal: matar polos é algo cotiám, maltratar um cam pode ter -nem sempre- sanções sociais como um alcunho. A vaca está consagrada como animal ao que se lhe pode ter carinho, quando menos até a gandearia industrial: Botava anos na casa, compartia espaço com a família e tinha nome. De jeito semelhante, o cam recebia também uns certos carinhos e cuidados embora a miúdo estivesse marcado mais polo seu labor de guarda do que pola sua funçom de companhia (umha dualidade quiçais mais aguda ainda nos cans de caça, que se chegam a sacrificar quando deixam de ser úteis).

Idades
Muda também a relaçom segundo a idade dos animais. Aos nenos mercavam-se-lhe pitos como joguete, ou permitia-se-lhes jogar com as crias dos coelhos ou dos cans. De jeito contrário, o afogamento ou soterrado de crias de cam e de gato era visto como algo absolutamente normal (de ai casos como este), mentres que matar exemplares adultos destas espécies nom resultava tam inócuo.

Variedade de reações
A exprimir esta contradiçom, dá-se toda umha série de reações entre a povoaçom, a depender a situaçom e da própria pessoa. Há quem nega qualquer empatia com o animal ou com algum exemplar concreto, assim como quem nom quer ver como morre ou participar no sacrifício. Em esta reveladora entrevista atopamos a posse estrema do matachim sem piedade canda à da dona que sinte mágoa polo animal.

Como é habitual na relaçom com a morte, cabem todo tipo de opções. No marco desta contradiçom pode-se pensar no papel que joga o matachim como figura externa a família que executa o animal, a difundir assim a responsabilidade pola morte dum “membro da casa”. Ou a própria participaçom coletiva da família em todo o processo no mesmo sentido (sem negar a necessidade de especialistas ou a falta real de mao de obra na casa).

A contradiçom medra?
Poida que nestes tempos, ao nom ser estritamente necesária a morte do animal para a mantença da família em muitos casos, e passar a carne do cocho a ser umha delicatessen (e amplificar quiçais a matança a sua funçom ritual), a contradiçom se incremente. A somar ao facto de muita da gente que se achega à matança vivem em contornos urbanos onde a morte dos animais nom é já cotiam e predomina umha outra relaçom com os mesmos. O avance do vegetarianismo e das propostas por um trato ético aos animais fam pensar em que a contradiçom pode amosar-se mais vivamente. Desde logo a questom é complexa.

Anovar as iconas

Rosalia como icona identitária. Do mesmo jeito que outros vendem figuras de pulpeiras, há quem está convencido das possibilidades do merchandising sobre Rosalia de Castro como elemento identitário entre os turistas.
Así, para os promotores desta iniciativa, Rosalia encarna “un exemplo, máis aínda nos nosos tempos, da cultura galega, o amor polo campo, os cultivos, os nosos ríos, as costumes dunha vida labrega, e de valores necesarios nos nosos tempos como o respecto, a humanidade, a solidariedade”.
Entende-se que essas cousas todas som parte da nossa cultura esencial e que nos definem.

A iniciativa suma-se às reinterpretações modernizadoras da imagem da poeta, que arrincou com o desenho de Rei Zentolo

E continuou com propostas como a do Conselho da Cultura

Dalgum jeito, dessacraliza-se a figura, joga-se com ela para a adaptar, mas na busca que manter o seu estatus icônico. A própria empresa do começo salienta que o seu objectivo é “relanzar al mundo la nueva imagen de Rosalía de Castro” e que venderá “camisetas originales, con temática centrada en la autora gallega, para chicos y chicas, asequibles y de moderno diseño”.

Novos soportes, retoques de desenho, para manter os mesmos símbolos de nós.

Os sonhos como património

Varias alegaciones reclaman que el PXOM ponteareano conserve el túnel del tranvía – Faro de Vigo.

Proteger elementos que nem chegárom a ser o que iam ser. Polo sonho que representárom, polo outro mundo possível que testemunham. Já nom apenas polo que figérom em eles, com eles, os nossos antepassados, mas polo que lhes puido supor de sonho.
Um trajeto polo que nunca foi tranvia nengum, um fracasso doutra época reclama-se agora como testemunho do que foi um lugar, do que poderia ter sido.