Narrar alternativas (algo óbvio)

De conversa sobre questões de género e outras, perfilamos (obrigado Isa), algumhas necessidades.
Nom abonda apenas com fazermo-nos conscientes da problemática e, a partir disso tentarmos reconstituír novas relações (embora é algo imprescindível).
Nom todos podemos (ou queremos) ser conscientes de tudo. Haverá que aposte por se conscienciar, comprometer e trabalhar a sua relaçom com o meio, a língua, o género, os animais, a autogestom ou com a alimentaçom. Mas nom podemos confiar unicamente nas consciências indivíduais sobre as diferentes problemáticas para mudar todas essas injustiças e discriminações.

Para construírmos novos jeitos de sermos e de estar com o planeta ou os outros, precisamos também gerar ferramentas que acheguem esses modos alternativos: narrações e histórias que, dum jeito menos consciente, facilitem às pessoas adoptar diferentes possições sem necessidade de as pensar muito. Contar novas histórias sobre relacionamentos alén dos estereótipos de Hollywood, amosar protagonistas diferentes. Nom se trata apenas de histórias que questionem as situações actuais, mas também exemplos mais facilmente adoptáveis e com os que nos poidamos identificar.

Empregarmos enfim ferramentas subliminais de educaçom com a que os sistemas actuais chegárom a se impor (e que também estám presentas tradiçom), sem exigir a todo o mundo (embora fosse ideal) plena consciência e deconstruçom dos seus comportamentos. Amosar outras maneiras possíveis de ser.

Há propostas nos ámbitos mais variados e mais ou menos debatíveis (na BD americana, na fotografia, no cinema, na escrita… mas falta muito ainda por fazer. E sim, compre fazer ficções, tenhem o seu poder, e resulta algo óbvio mas achei interessante apontar para lembrar.

Actualizado: Um exemplo aqui

O Apalpador já é tradiçom?

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Sargadelos tem à venda (nom atopo versom web em galego) umha nova figura do Apalpador.

Como noutras propostas arredor do Pandigueiro, está a desaparecer o debate sobre a autenticidade da figura. Apresenta-se naturalizado, como uma lenda ou tradiçom galega. E para as crianças com certeza é: o tempo que passou desde que apareceu em cena nas cidades fai-no já “de toda a vida” para os mais novos.

Já há tempo que nom lhe dou volta ao tema, mas o facto de que Sargadelos, instituiçom agora livre de suspeitas reivindicativas (para além dum actual galeguismo amável que, como podemos ver, nom se preocupa nem por ter web na nossa língua) adopte também este emblema, fai-me pensar se já terá antingido o seu tecto de expansom.

É dizer. Nos primeiros anos de desenvolvimento, com o debate associado, estava por medir até onde podia chegar a figura, em quê jeito se poderia adoptar e quê valores levaria vencelhados. A multiplicaçom de propostas de merchandising e iconografia (bonecos, contos, obras de teatro e um bom feixe de produtos “do apalpador”), ou as actividades de animaçom cultural forom no momento tentativas de ocupar novos terreios ademais de representações que buscavam legitimar a figura e divulgá-la sobre esse fundo de debate.

Agora, podemos considerar o Apalpador normalizado? Cabe pensar que boa parte das representações e produtos que continuam a sair do carboeiro já nom buscam essa legitimaçom, mas que unicamente (caso Sargadelos) representam o que se considera umha lenda ou tradiçom própria do país. Até que ponto a míngua do debate lhe tira potencial subversivo à figura?

Ainda mais: A consolidaçom do Apalpador como algo “tradicional”, já nom discutido, limita-lhe alcance? É dizer, a figura fica agora vencelhada ao imaginário galeguista, quiçais ao nível da queimada, o baile tradicional ou a música. E só é mantida polos interessados em manter esses elementos.
Os detractores já nom precisam de a atacar umha vez que comprovam que fica restringida a esse mundo que em grande medida lhes é alheio, a “toleráncia” é mais efectiva do que a crítica directa.

Entom, desta altura em adiante, a expansom ou triunfo do Apalpador ficará vencelhado á expansom do pensamento (ou sentimento ou lifestyle) galeguista na sociedade? Ou seguirá-se a senda de Sargadelos e haverá mais empresas que apostem pola figura, já integrada como umha tradiçom mais de Natal?

Amor às margens

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Porque é nas margens que para o tempo.
Lá estám os joguetes rotos, lá se reconhecem muros como os que na infáncia compartim com meu pai.
Ali atopo as varandas aquelas às que me aferrei com o passo inseguro quando eram mais altas do que eu.

Gosto das margens polo que tenhem de arqueológico, polo seu jeito de acumular um lixo
que conta histórias.
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SoPa de sobremesa. Quêm é a comunidade? #sopa14

NOTA PRÉVIA: Unicamente aponto ideias que me surgírom a raíz da participaçom no SOPA, ninguém o tome como umha crítica nem muito menos como um documento acabado. Apontamentos apenas.
Trabalhamos com a ideia de conseguirmos umha gestom patrimonial democrática e participada polas comunidades locais.
Consideramos, de jeito geral, que som os habitantes do contorno dum bem/complexo patrimonial, ou aqueles que partilham o seu significado (ou seja, aqueles que dalgum jeito geram identidade a partir do mesmo ou se identificam com ele), os sujeitos legítimos para atuar sobre ele, resignificá-lo e revalorizá-lo.

Se entendemos precisamente a ideia de património como um procomum, quêm decide até onde chega a comunidade? Fora da definiçom sociológica da mesma, onde pomos os limites de quêm tem direito a decidir sobre o património? E como podem fazê-lo?

1- Os que participam.
Tendemos a pensar em que é a toma de decisões assemblear, horizontal, informada e razoada a que legitima o sujeito.
No entanto, nom todo o mundo participa nos nossos projectos, e há diferentes jeitos de participar. Quê acontece com a gente que nom se integra? Com as que nom partilham esse jeito de decidir? Nom participa quem nom quer ou nom participa quem nom sabe/pode? Até que podo é o nosso labor facilitar essa participaçom?

2- Aqueles que participam de jeito “correcto”
Nom está todo património socializado em por sim? A aquiescência, a conformidade, a toleráncia som também jeitos de participar dessa gestom?

Até que ponto existe realmente a toma de decisões horizontal e democrática?, até que ponto nom se desenvolve em comunidades que possuem já estruturas e relações de poder prévia que determinam o jeito no que a gente participa em elas. (Há caciques, gente influínte, pessoas que nom se tenhem em conta, afinidades e ódios).
Ainda mais, a geraçom destas dinámicas pode favorecer a emergência de novas relações de poder (libertadoras ou nom) ou servir como apoio para status quo de desigualdade? (Alcaldes que podem ver afortalada a sua possiçom na comunidade mediante este tipo de actividades? comunidades de montes geridas de jeito caciquil?) quê consideramos umha comunidade informada?

Entom, somos nós, os técnicos, os que pomos esse limite? Desbotamos como ilegitima toda toma de decisom que nom se desenvolva de jeito horizontal? Deslegitimamos as instituições estatais e “democráticas” como agentes sobre o património? Nom limitamos entom o alcance possível dos efeitos? Podemos integrar agentes com diferentes poderes e diferentes jeitos de participar?

Do mesmo jeito, desacreditamos, por pouco democráticos, os jeitos capitalistas de utilizaçom do património? Negamos a sua mercantilizaçom, priorizamos a significaçom na própria comunidade do que a criaçom de ofertas turísticas? Quer dizer, se esse é o interesse da comunidade, devemos inibir-nos? Até onde?

3- Quem obtém identidade do bem/complexo patrimonial?

Nom só a comunidade local se identifica com cada elemento. Pode acontecer que pessoas além do lugar concreto tirem de ali elementos identitários. Seja como consciência dumha questom nacional, por identificaçom cumha época concreta, por gostos estéticos, por simbolismos religiosos, polo que for, há pessoas alheias ao local que dalgum jeito geram a sua identidade arredor do bem (pense-se, por exemplo, em Stonehenge). Há voluntários e trabalhadores que colaboram na iniciativa e que integram nas suas vidas os elementos, os próprios técnicos, investigadores e especialistas geram a sua identidade como tales a partir também da sua relaçom com os bens e as comunidades que os acompanham. E também estám os turistas, os empresários a gente que se interessa desde a distáncia e que, como olhamos cada vez mais, pode mobilizar-se de jeito importante arredor dum bem.
Entom, quêm pode e nom pode decidir ao respeto?

(continuaremos)

 

SoPa de sobremesa. Questões sobre a mobilizaçom patrimonial

(Sem ordem nem organizaçom, como corresponde a um quaderno de apontamento, tentarei ir recolhendo pensamentos e ideias que surgem a raíz da minha particiaçom no SoPa14)

“O mais importante ao falarmos de património e comunidade é a comunidade”, dizia Sabah (penso) nalgum momento do encontro. É claro. Já tenho apontado por aqui o potencial mobilizador do património, para mim mais intuído do que verificado, e o Congresso nom fixo mais que apontoar a ideia. Falamos dum elemento que possue nos nossos dias umha enorme capacidade para gerar identidades, empoderar grupos, activar participações e tudo o que se quiger em esse sentido.

Aparecem-me à volta destas possibilidades diferentes questões que agardo ir debulhando, especialmente em torno ao papel do técnico ou mediador (quêm sinala quê é importante?), dos jeitos em que se artelha a participaçom (quêm decide quê jeito de participaçom é ajeitado? só é aceitável aquele que se desenvolve em teóricos mecanismos assembleares?) e, em geral onde fica a legitimidade para agir e activar o património com fins sociais (onde fica a comunidade? vai para além do local?).

Nom está acaso sempre socializado o património? Nom existe acaso sempre um certo consenso (inestável e contraditório, como todos) já no jeito no que umha comunidade o considera? Outorgar-lhe de jeito tácito a ruínas e lugares que perdérom a sua funçom original outras funções de espaço periferico resulta também um jeito de socializar, de outorgar-lhe um papel no seo da comunidade, já seja para o consumo de drogas de diversos tipos, como espaço segregado para grupos de idade (crianças e adolescentes),  ou lugar para practicar sexo.

Iremos-lhe dando voltas.

Um sonho que se fai

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Case esqueço sentir-me ledo. Quase esqueço a maravilha. Mas quando espertei, no meio da noite, veu essa sensaçom. Hoje é um grande dia.

Há como uns 15 anos descobrim a história de Barriga Verde e dos Silvent no primeiro número da revista Bululú, e aginha fiquei fascinado, como sempre acontece as primeiras vezes que atopas num livro umha memória que contava à avoa e à que nom lhe deras especial importáncia.

Desta volta também, Barriga Verde era história de Hermínia, da sua infáncia lá polos anos 20 e 30. E era também lembrança dos meus pais, nos 40 e primeiros 50, em Noia. “Morreu Barriga Verde, acabou-se a peseta”, diziam. E agora estava ali a história misteriosa daquela gente que entretivera aos meus maiores, dalgum jeito salvada e recuperada.

Aos poucos forom aparecendo cousinhas. Um texto de Dosinda Areses, artigos de Xaime Iglesias em Cedofeita. E eu ia contando na casa as descobertas. Que José Silvent aprendera galego em Portugal. Que vivira em Lérez, ali a poucos quilómetros da nosa casa. Que o que era umha memória familiar resultava ser umha memória social, compartida por gente de todo o país.

Era ademais a história dum empresário que apostava polo galego, sendo estremenho. Era o conto do teatro na nosa língua baixo o franquismo. Era a lenda daqueles bonecos que batiam no cura. Era aquele títere que era o mesmo por toda Europa com diferentes feitios desde havia séculos. Sem saber bem qual era, eu remoia o potencial daquelas memórias.

E sonhei em revivi-las, que mais gente as conhecesse. Como se assim lhes digesse aos meus velhos que o que eles lembravam nom era apenas um conto de crianças. Que era algo importante, um fragmento de memória e de identidade colectiva. Umha cousa mundial. Um berro em tempos de silêncios. Expossiçom, merchandising, recuperar memórias, publicar livros. Escrever na rede. Berrar onde for que Barriga Verde estivo e está ainda aqui, convencido de que haviam aparecer ecos e mais ecos.

E fum atopando polo caminho gente que tinha esses sonhos também. Assim dei com o Pedro, que amou o conto e armou um documental. E em esse proceso, também se fascinou a Comba. E aparecérom os Viravolta e a sua velha teima de reconstruír umha barraca. E o Xaime continuou calado o seu trabalho a recuperar a memória dos Silvent em Lérez. E mais gente que também viu a vida que gardava aquele títere dentro da cabeça de madeira.

E foi graças a eles todos que o sonho comum colheu forma. Nom fum eu quem o fixo realidade, afortunadamente. Teria sido muito triste construír sozinho um sonho, e de certo nom seria quem, como nom fum quem em todos estes anos. Forom eles todos os que me dérom a graça de construírmos juntos esta aventura. E há um documental, e um web, e umha barraca e umha obra em marcha, e livros, e actividades… e Barriga Verde vai resoando.

E hoje mesmo, esta tarde, abre as suas portas aquela sonhada expossiçom, logo de quinze anos. Nom fum eu quem o fixo possível, mas hoje espertei e (quase me esqueço), decatei-me de que era tempo de me sentir feliz. Porque está a se fazer possível. O mundo deu-nos um bocado de razom, e demostramos que Barriga Verde ecoa com força lá por onde se berra o seu nome. E que se podem fazer cousas, que se podem mudar um bocadinho, que se pode chegar longe a partir de apenas umha ideia. E, no proceso, medrar.

Obrigado.

Umha merda para ti. (A dejeções caninas como facto social total)

(Reconheço que a ideia me veu à cabeça no meio da noite, de jeito que sim, é umha ideia peregrina).

Achegando-se à ideia de facto social total de Marcel Mauss, segundo o qual “os fenómenos sociais são totais e têm implicações, simultaneamente, em vários níveis e em diferentes dimensões do real social, sendo portanto motivo de interesse de várias, quando não de todas as ciências sociais”. Tende a se interpretar isto no sentido de que um mesmo fenómeno pode revelar a diferentes níveis como está constituída umha socidade e mais a sua cultura. Penso entom em quê dim da nossa sociedade o fenómeno das merdas dos cans abandonadas nas vias públicas.

Assim sem lhe dar muitas voltas, jordem diferentes leituras que podem explicar a tendência a este facto.

Que nos di a merda na rua sobre a sociedade?

– Que é umha sociedade no que nom há um presom comunitária fote sobre determinados ámbitos de comportamento considerados privados, ou bem que esta é feble. É dizer, falamos dumha sociedade individualista.
– Também se poderia entender que é umha sociedade que nom tem na limpeza de espaços públicos umha prioridade.
– Que nom se promove o emprego e gestom comunal dos espaços públicos, mas que a mesma fica profissionalizada, e que nom há recursos abondos para a garantir.
– Que nom existe umha cultura destacada de aproveitamento de refugalhos. A merda de cam sempre de tratou assim nas cidades occidentais. Nom há exemplos prévios de recolhida. Nom houvo um aproveitamento do esterco para usos agrários (com exceições como merdeiros de Vigo ou quiçais, en tempos nos que o cavalo tinha presença nas urbes. A ideia de recolher merda do chao resulta até há pouco tempo totalmente estranha.
– Que o trabalho com a merda (limpeza, reutilizaçom, estrado) é visto como algo degradante. Ergo, observa-se umha sociedade classista, na qual o ideal higiénico se ajeitará a trabalhos e jeitos de vida sem esforço ou contacto com a terra, maquinária ou actividades que podem lixar. Tocar merda é algo, numha sociedade urbana que tem a burguesia como modelo de comportamento e de higiene, sumamente degradante.
– A maiores é umha acçom cómoda: A merda é singela de deixar e complexa de tirar da rua.
– Do mesmo jeito, pode-se interpretar como umha agresom passiva. Nom supom um dano directa a ninguém. No entanto, a merda fica na rua e o seu destino é ser pisada.

A incidir em esse último ponto, o facto de deixar a merda na rua ou no jardim amosa um alheamento da sociedade. O próprio dono do cam que deixa a merda nom quer à súa vez ser vítima de pisar umha. Entom actúa porque o seu contorno (nom familiar nem imediato) nom lhe importa ou bem como se nom lhe importasse. O facto amosa umha carência de empatia. O indivíduo nom se identifica como parte do colectivo, nom exerce a norma básica de tratar aos demais como quer ser tratado. Dalgum jeito, as merdas nas ruas som um reflexo da sociedade capitalista urbana, da ausência de elementos comunitários na convivência cotián. O dono do cam nom é parte da sua vizinhança, da sua cidade. Nom considera suas as ruas nem muito menos a responsabilidade mínima da sua conservaçom.

Pode-se interpretar tamabém o lijado consciente e continuado das ruas como um proceso de resistência cotiá fronte à situaçom vital, de válvula de escape ante os problemas. O trabalho, as presões familiares, a incerteza sobre o futuro, os problemas económicos. Culpabiliza-se dalgum jeito o conjunto social e deixa-se umha merda de cam na rua como a dizer “nom se fam cargo dos meus problemas, cagho por eles”.

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Na realidade, o fenómeno que me semelha fondamente interessante é o jeito no que, nos últimos anos, conseguiu-se mudar esse comportamento. A ameaça de multas, as campanhas publicitárias e umha maior conscienciaçom acadárom por modificar em grande medida este hábito. Procesos semelhantes temos visto com outros como o tabaco ou o emprego do cinto de segurança, mas se quadra é no caso das merdas onde mais interessante me resulta por quanto nom implica a saude nem a integridade dos destinatários das campanhas nem o bombardeio publicitário foi tam forte.

Semelha que em este caso, fora de grandes campanhas publicitárias (como as do tráfico ou o tabaco), o que realmente funcionou foi a comunicaçom de proximidade em paralelo à ameaça coercitiva com as multas. Factores como pequenas publicidades, muitas vezes criadas polos próprios vizinhos, o apercebimento público de que se está a exercer um comportamento nom desejado ou o exemplo possitivo doutros donos de cans dérom numha menor quantidade de detritos na rua. Comentava ontem um amigo a possível relaçom do fenómeno com os novos jeitos de tratar os animais de companhia que se estám a desenvolver. O papel dos conversos à nova conduta que, como noutros ámbitos, fam-se os principais valedores da mesma, contribue ainda mais a espalhar o novo jeito de agir. O que até há nom muito era um comportamento “normal”, passou a ser um comportamento “marcado”.

Modificar um hábito tam arrigado e que implica para a sua erradicaçom um trabalho sistemático e contínuo dos donos dos cans, implicará também umha mudança no jeito de perceber o resto da sociedade? É dizer, embora comece como umha coacçom económica, pode derivar a presom para a recolhida em que os próprios donos acabem reconhecendo as vantagens do novo comportamento e reconheçam os seus vencelhos com os contorno e a vizinhança?

Problemas / oportunidades

Os pataqueiros da Límia levam tempo a se queixar dos problemas que supom para a súa actividadae a declaraçom dumha Zona de Proteçom para Aves na zona. A Xunta, a lhes fazer caso, estuda o jeito de lhes minimizar o impacto.
Boa parte das terras de cultivo destes agricultores provenhem a dessecaçom da Lagoa de Antela, considerada no seu dia o maior (ou o segundo maior) humidal do Estado, em competência com o celebérrimo Doñana, uns 42 km quadrados. Os recentes temporais assolagárom umha pequena parte desta antiga extensom, o que de novo foi denunciado polos agricultores como um problema para o seu trabalho.

E paralelo, descobro os projectos para recuperar o chamado Mar de Campos, em Paléncia. E chama-me a atençom a declaraçom dum dos implicados: “Imagine lo que sería tener un Doñana en Palencia. Eso es a lo que aspiramos”.

Aqui nom somos quêm de o imaginar, embora está aí, a flor de terra. A questom é que devemos pensar quê modelo queremos. A produçom agrária e a soberania alimentar é claro que é fundamental. Mas quiçais o modelo de monocultivo estensivo, a base de destruír humidais, nom seja o mais ajeitado. Por nom falarmos das problemática periódica com os preços que sofrem os produtores de pataca polos actuais modelos de distribuiçom. Alguém terá botado as contas? Realmente som mais rendíveis as patacas do que os humidais?

O jogo periférico (II)

De jeito paralelo às mudanças estruturais no jeito de jogar, a mercantilizaçom dos jogos e brinquedos e a sua crescente mundializaçom e integraçom das indústrias do entretimento leva a que os jogos se acabem desenvolvendo sobre referentes culturais afastados. Assim entrárom nas nossas cidades o baseball, popularizou-se o basket e vemos como normal a celebraçom do Halloween. Ainda mais, olhamos os nossos cativos e cativas jogar a personagens televisivos, recriando os heróis vindos de américa. E nem tem por quê ser tam mau, nem tam determinante, podemos debater noutro momento até que ponto contamos sempre histórias semelhantes, como analisou Propp. Quiçais seja mais importante decatarmo-nos dos silêncios que se geram nos discursos sobre os que se desenvolve o jogo.

Se bem é singelo atopar o papel de heróis e de princesas nos mídia, papeis que noutros tempos se atopavam na vizinhança, nas histórias ouvidas na escola e na igreja, nos contos narrados na casa ou nas histórias que chegavam nas feiras, aparecem ausências importantes: nom há papeis periféricos, nem espaços periféricos nas representações que alimentam os jogos. Deportistas, luitadores, americanos vários tiram as posibilidades de que jogo seja umha escola de identificaçom com o contorno imediato. Nom há labregas nem trabalhadoras protagonistas. Nom aparecem os referentes do contorno imediato que nos permitam identificar-nos com figuras próximas. Por nom falar das línguas nas que se desenvolem os exemplos e que se acabam reproduzindo no jogo.

Fica pendente recuperarmos esses espaços periféricos. Podemos, por exemplo, dignificar o trabalho agrário desde a infáncia para aquelas crianças que habitam áreas rurais. Reivindicar o agro como imaginário para os jogos, situando-o no mesmo plano simbólico do que mundos afastados. Conheço um rapaz que só queria um tractor com pá escavadora e rotoempacadora, e nom deu atopado em tenda nengumha da sua contorna.Nom poder jogar com referentes do contorno mais imediato, nom é um primeiro passo de alheamento do mesmo?
Tentemos criar opções de jogos, de narrativas, achegadas. Tenhamos os nosso próprios personagens e heróis. Aplique-se o conto á língua e à cultura em geral. Por ai vai a ideia do Projecto Barriga Verde 😉