A estrada secundária

Fotografía de Galicia Ártabra Digital. Pista forestal en Neda.

O mundo muda quando saímos da estrada principal e apanhamos umha secundária cara a aldeia.
De socato, desaparecem os sinais de tráfico, as linhas da calçada. Do mesmo jeito, nom há, nom caminho nem na povoaçom, recordatórios do poder do Estado, das normas de convivência. Nom há cámaras, valados que marquem os diferentes espaços públicos (passeios, jardins que se podem e nom se podem pisar, indicadores que nomeiam ou cartazes oficiais). As barreiras marcam apenas separaçom entre espaços privados, e nom impedem o passo realmente, mais que ao gado nem determinados usos (cinegético, p.ex.).
Nem sequer há a presença cotiá de agentes da Lei de tipo nenhum.
Bem sei que o Público nom está apenas conformado por normas coercitivas, mas acho que essas ausências simbólicas explicam em certo jeito o mundo ao que se chega pola estrada secundária.

Lá o público é apenas ao espaço da estrada, ao alumeado, quiçais ao “parque biosaludável” desses que um empresário amigo do PP construiu por todo o país com os fundos da AGADER.
Além disso, nem sequer a água, em muitos casos achegada polos vizinhos, é serviço público. Nem o lixo, que se recolhe em um ponto concreto para aldeia toda umha vez cada quinze dias. Nom há bibliotecas, parques (se os há também podem estar pagados pola comunidade de montes), nem centros médicos. O público enfim, fica em outro lugar, nom na aldeia.

Deste jeito, a relaçom com o público, como estado, fica subordinadas às relações comunitárias. O caminho pode ser empregado como campo da festa, de jogos ou espaço de trabalho pola colectividade, a rachar as normas da circulaçom, a lixa-lo ou estragá-lo ou pode ser apropriado por um vizinho, sempre que consiga apoios abondos no grupo. Do mesmo jeito, um farol do concelho pode acabar por alumear umha casa, por exemplo.
Mesmo espaços teoricamente nom propriedade do comum gerem-se como tal. A igreja é do grupo, mantem-se e cuida-se entre todos. O mesmo a escola abandonada ou o local social.
Assim, a relaçom com o público realiza-se dentro da lógica das relações de grupo, e consideram-se as obras da estrada ou a melhora do alumeado ou da levada da auga como um favor que se solicita e é recompensado (com votos ao político ou apoios e ajuda ao vizinho que geriu o processo). Nom se contempla com a ideia de direito, de transaçom à que se pode acceder mercé aos impostos.

Precisamente essa é outra grande presença do público na vida da aldeia, mas desta volta fica na esfera mais privada. Os impostos e os subsídios som aspectos do público nom territorializados, dos que pouco se fala fora da casa. Os primeiros contemplam-se como umha maldiçom da que escapar, ao jeito tradicional, algo com pouco sentido. E pode ter a sua lógica, vistos os serviços que achega o estado a esse território.
O caso dos subsídios nom o tenho tam claro, mas acho que entram na lógica de relacionamento de favores que prima em esse lugar: Conseguem-se, como qualquer cousa do público, através dum mediador.

Velai a famosa figura do cacique, do cura, do médico, do boticário. O que sabe, o que consegue favores, o que intercede. Hoje pode ser a pessoa com os conhecimentos para aceder a um subsídio, para pôr umha reclamaçom, para resintonizar a TDT, gerir umha multa ou instalar Internet. A lógica transcende em este caso ao lugar, e leva-se à relaçom com instituições distantes, como é a médica, a assistencial, a administraçom em geral (e nom é exclussivo do nosso país este jeito de se relacionar com sistemas expertos).

Entom, é complicado trabalhar a política, a gestom do público, desde estes lugares. Antes compre falar do comum, achegar-se aos códigos que se manejam em eles. Desenvolver os aspectos colectivos e incidir na ideia de direito a partir da transaçom que se realiza com o Estado a partir dos impostos. E logo, a ver em que dá.