Um ajeitado epitáfio

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A falta dumha semana para abandonar Compostela como lugar de habitaçom logo de 20 anos (fica como espaço de trabalho), acodo às Cheverografias. A visita com audioguia pola memória urbana atravês da história de Chévere é um certeiro retrato das transformações que viveu a cidade no tempo que levo aqui (e que já começaram algo antes). A gentrificaçom, a turistificaçom, a diminuiçom e institucionalizaçom da vida cultural, a desapariçom de espaços livres… Constantes sobre as que reflicto a miúdo aparecem no percurso.

Esse caminho por lugares que já nom som o que forom, por edifícios hoje fechados ao público, reconvertidos em negócios para turistas, em espaços mortos a agardar pola especulaçom, em sés institucionais e bancárias é altamente revelador. O ficarmos a olhar lugares hoje mortos para a comunidade enquanto se escuita o que houvo lá noutro momento é um exercício com algo de oraçom e de homenagem a outro tempo.

Fica o passeio como um epitáfio ajeitado ao fim desta etapa, minha e do lugar. Compostela nom é a que foi, e nom será. Eu mesmo vou passar a vivê-la doutro jeito. A cidade nom vai voltar a aqueles tempos nos que o controlo do grande capital e das instituições (ainda em formaçom) sobre o espaço e a vida era bem menor ao de hoje. Ainda nom estava tudo tam penetrado por lógicas verticais e alheias ao lugar.

Mas, no entanto, nom se pode ser catastrofistas. Continua a haver vida. A outro nível, noutro jeito. Nom está a Casa Encantada, nem Chévere, nem tantos locais, nem tanta criatividade, possivelmente. Mas está o Matadoiro, as associações vezinhais de Sam Pedro ou de Sar, os coletivos de skaters, os de hip-hop, os de teatro, as editoras, os grupos de música, as salas de concertos os centros sociais, os Estudos em Mao Comum, o passeio de Jane, as hortas urbanas, a Semente, os grupos de pais e mais que se autoorganizam, as cooperativas de consumo, o Mercado da Choiva.
A vida, feita por nós, além de governos e de instituições, noutros lugares e doutros jeitos. Poida que à sombra do turismo, poida que agochada por baixo dos grandes slogans da publicidade, mas está.
E há que a viver e a trabalhar. Lá imos.

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