Novos mitos

Fonte: La Voz de Galicia

Fonte: La Voz de Galicia

Reconheço que adoro as intromissões da fantasia na realidade. É por isso que me parece tam interessante esta nova sobre a apariçom dum graffiti cum símbolo de Harry Potter num dólmen viguês.

Primeiro de tudo: é umha animalada. Dito.

Agora tento explicar por quê acho interessante.

1- Equipara um elemento histórico patrimonial cum símbolo fictício de cultura pop.
Há algo poético aqui ou? Um reclamar o gosto popular fronte á cultura oficializada, sancionada e pétrea. Dizer que é tam real para alguém os símbolos dum conto como umha construçom que leva cinco milénios ai chantada e que tem a sua aura de magia e mistério.

2- É umha crítica irónica ou é umha canle de espiritualidade?
É dizer: A ideia do autor era fazer essa crítica e equiparar dolmen com Harry Potter ou realmente a pessoa canaliza em esses símbolos a sua vissom de sacralidade ou espiritualidade. Também nom é nada novo.

Do mesmo jeito que citamos o “Ne vus sanz mei, ne mei sanz vus” de Tristán e Isolda ou que as lápidas de Tolkien e a mulher rezam “Beren” e “Luthien”, levamos séculos a nos identificar com as histórias de ficçom, poemas e canções, empregamo-las para gerir os nossos afectos e crenças e dizer o que queremos. Muitos de nós identificamo-nos com estas criações mais do que com símbolos oficialmetne sancionados como a religiom. Pensemos an Força de Star Wars e em toda a gente que agora já se define como Jedi.

Nom me resulta tam alheio entom o facto de que alguém poida sentir que esse símbolos tenhem poder, que viva o facto de os inscrever num monumento megalítico de 5.000 anos como um acto mágico.

3- Novos mitos?
Nom se trata de símbolos wiccan, nem satánicos, nem trísceles nem outros elementos que se podem considerar mais ou menos inseridos numha tradiçom culta da magia. Estám Harry Potter, ou Tolkien, ou a Força a se constituír como novos mitos? Se pensamos que afinal todos os mitos nascérom como criações de ficçom e que foi a sua adopçom social o que lhes deu o seu carácter sacro, também nom é tam estranho. A muitos há-lhes parecer mais normal entoar o Esconjuro da Queimada como símbolo identitário galego, ou falarmos de meigas e de churrasco como símbolos nacionais cando também som invenções bem recentes.
Cómpre sermos conscientes também de onde venhem os referentes para estes novos mitos, e se devemos ser quem de contarmos com mitos próprios de cara ao futuro (e quem os está a promover).

4- A própria narraçom do facto
No jornal atopamos tanto espaço dedicado á explicaçom dos símbolos fictícios como a falar da importáncia do monumento megalítico. A nova equipara também os elementos fictício e patrimonial.

Dá para muito pensar. Sinto-o pola mámoa, mas parece-me altamente revelador.

(Para mais info, revelám-me que o suposto 7 na realidade é a Marca de Caím da série de TV Supernatural XD

2 reflexións sobre “Novos mitos

  1. Coido que é unha animaqlada e nada máis. Se cadra nen pensaba pasar máis dali, veu ises simbolos nalgures ( nos libros e na tv ou mesmo noutros grafitis) e pensou que estaria ben….Persoalmente o marxe da sua significancia ou da súa nova sacralidade e unha burrada escoller tal lenzo para a súa mensaxe.

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