Dias das Letras

Logo duns aninhos a repassar os Dias das Letras Galegas, interessado em particular no jeito no que se celebra a efeméride, semelha-me que os eventos desta data reflictem em boa medida e evoluçom da nossa própria cultura.

Deste jeito, este ano a celebraçom de Manuel Maria semelha evidenciar a importáncia dos produtos culturais para cativos na profissionalizaçom do sector cultural. Em esse sentido, muitos artistas e companhias aproveitárom o potencial de Manuel Maria para a sua própria criaçom artística, com a ideia de que os trabalhos sobre este autor haviam acadar umha importante demanda este ano (e tal semelha). Como efeito colateral desta busca de rendibilidade (totalmente legítima) temos que o que em outros anos podiam ser homenagens de associações e concelhos artelhados em boa medida em base a trabalho voluntário de colectivos locais, passam a ser eventos “contratados” (e poida que mais uniformes). Da outra banda, devemos pensar que isto permite a supervivência de profissionais da música e das artes escénicas e que ao tempo dá pé a existência de obras artísticas de grande qualidade. O fenómeno tem prós e contras.

Ao tempo, podemos contar as empresas como parte da sociedade civil? Em esse sentido, as propostas deste ano continuam a tendência doutras celebrações anteriores nas que semelha que se lhes retira às instituições oficiais (Xunta, CCG, RAG, Universidades, Deputações) o protagonismo ou a exclussividade sobre a celebraçom e (para mim o mais importante) a interpretaçom que se fai dos autores. Assim, este ano temos um Manuel Maria reivindicado como autor para cativas, e nom apenas o poeta ou o creador comprometidos que se nos vendia até o momento. E isto responde a um interesse comercial, mas também situa o autor em relaçom com as inquedanças actuais da nossa cultura, que semelha estar especialmente focada ao problema da transmissom intergeracional da língua.

No entanto, devemos ser conscientes de que a celebraçom do Dia das Letras está a amosar umha importante plasticidade ano a ano (quando menos desde que eu o sigo polo miudo). Logo da multiplicaçom de agentes implicados que se deu o ano de Novoneyra, a explossom que foi o de Lois Pereiro, cumha inédita participaçom social, mudou em boa medida as perspectivas sobre o que poderia ser um Dia das Letras diferente, artelhado além das instituições.

Desde aquela cada homenageado marcou em boa medida o jeito no que a sociedade empregava a figura. Deste jeito, Filgueira ficou em 2015 de novo nas maos das instituições (embora provocou interessantes reacções alternativas), e Paz Andrade nom conseguiu arrastar muitas propostas, para além do movimento que se produziu arredor a ILP com o seu nome.

Si acadou umha maior pegada Vidal Bolaño, cum protagonismo partilhado entre companhias, instituições e sociedade civil. Destacou o caso de Diaz Castro. Quiçais por ser um autor maiormente por descobrir, aproveitou-se enormemente o potencial inspirador para diferentes criadores, nesta ocasiom cum peso especial do ámbito audiovisual. Em este caso é de destacar que se bem o sector apostou por comemorar o autor, numha importante parte dos casos as produções desenvolverom-se de jeito altruístas e voluntário. Visibilizar o seu trabalho ou denunciar a situaçom de precariedade fórom em certo jeito as mensagens que se achegárom com estas propostas, do mesmo jeito que a escena do país se reivindicou a través de Vidal Bolaño.

Em geral, a resumir estes anos, semelha que a sociedade civil e as empresas estám a colher, nos casos em que olham por onde, a iniciativa para celebrar os autores homenaxeados e os interpretar desde as problemáticas actuais da nossa cultura. A crescente multiplicidade de agentes vai acompanhada dumha aparente consolidaçom profissional no campo cultural. Até que ponto o Dia das Letras vai ficar como umha “produçom cultural das Letras”? Há depender do autor, semelha.