Sem saída

venecia

Ponhamo-nos tremendistas. Nom há saída. O turismo de massas invade progressivamente todos os destinos que poidamos pensar. Acabou-se Venécia, Florência, Barcelona, Compostela. Passa tudo a ser parque temático. A realidade fica restringida a urbanizações periurbanas, aldeias esquecidas zonas industriais feias e sem particularidades que ainda resistem a maré.

A planificaçom urbana fai-se a pensar nos turistas, a programaçom cultural e para turistas, a cidade passa a ser para clientes que deixam os cartos em troca a viver o que é um simulacro para o cal cada lugar que estar à sua altura. Toda França, Itália inteira é umha montra para tirar fotografias. As ruínas passam a ser atractivos, os bairros vermelhos som apenas engado para visitantes, Londres é um espectáculo a tentar semelhar o que agarda o mundo dele. Os lugares de vida passam a ser lugares que visitar e que olhar, cenários.

Nesse contexto, dificulta-se viver experiências diferentes nos destinos. Tudo é produto para o visitante. Tours organizados, serviços estandarizados, centros de interpretaçom e museus similares orientados a explotar supostas diversidades. Cá sol, lá história, arte, costumes, arquitectura.

Do mesmo jeito, produz-se o inevitável choque dos habitantes (feitos despraçados, refugiados de cidades que já nom existem, atrapados por uma mitologia projectada cara ao exterior e que nom reconhecem, privados dos seus espaços pola maré humana, pola exploraçom selvagem do lugar) e esses visitantes aferrados ao seu guia, aos estándares de qualidades, aos pacotes de desfrute concentrados. Esvae-se a opóm de socializar. As relações em destino ficam mediatizadas polo intercámbio mercantil, polo carácter de invasor e invadido, polas expectativas foráneas.

Faltará, penso desde há tempo, a criaçom de espaços onde se poida gerar o encontro. Será da minha experiência como anfitriom de Couchsurfing, por ter feito muitas vezes de guia, mas acho que é possível outro jeito de viver os destinos, da mao de habitantes que, à sua vez, se vem enriquecidos polo contacto com outros pontos de vista.

À sombra do espectáculo turístico, haverá tendas de recordos com trastendas onde tomar uns vinhos, espaços de bairro abondo sujos para que nom se achegue a massa, personagens que darám medo aos de fora. Periferisa enfim nas que transitar dum outro jeito. E parar, e tentar viver.

Mas nom será abondo. Compre gerar, a grande escala, outros relacionamentos entre a maré turística e os habitantes de qualquer lugar. Nom se pode vender a cidade inteira. Há que reclamar espaços para a comunidade, festas próprias que lembrem essa identidade própria fora do que contam as brochuras das oficinas de informaçom. Lugares de convivência onde se geram mitos, líderes e jeitos de convivência. Pactos com os visitantes, carris reservados, espaços libertados.

A maré sobe.