O jogo periférico (II)

De jeito paralelo às mudanças estruturais no jeito de jogar, a mercantilizaçom dos jogos e brinquedos e a sua crescente mundializaçom e integraçom das indústrias do entretimento leva a que os jogos se acabem desenvolvendo sobre referentes culturais afastados. Assim entrárom nas nossas cidades o baseball, popularizou-se o basket e vemos como normal a celebraçom do Halloween. Ainda mais, olhamos os nossos cativos e cativas jogar a personagens televisivos, recriando os heróis vindos de américa. E nem tem por quê ser tam mau, nem tam determinante, podemos debater noutro momento até que ponto contamos sempre histórias semelhantes, como analisou Propp. Quiçais seja mais importante decatarmo-nos dos silêncios que se geram nos discursos sobre os que se desenvolve o jogo.

Se bem é singelo atopar o papel de heróis e de princesas nos mídia, papeis que noutros tempos se atopavam na vizinhança, nas histórias ouvidas na escola e na igreja, nos contos narrados na casa ou nas histórias que chegavam nas feiras, aparecem ausências importantes: nom há papeis periféricos, nem espaços periféricos nas representações que alimentam os jogos. Deportistas, luitadores, americanos vários tiram as posibilidades de que jogo seja umha escola de identificaçom com o contorno imediato. Nom há labregas nem trabalhadoras protagonistas. Nom aparecem os referentes do contorno imediato que nos permitam identificar-nos com figuras próximas. Por nom falar das línguas nas que se desenvolem os exemplos e que se acabam reproduzindo no jogo.

Fica pendente recuperarmos esses espaços periféricos. Podemos, por exemplo, dignificar o trabalho agrário desde a infáncia para aquelas crianças que habitam áreas rurais. Reivindicar o agro como imaginário para os jogos, situando-o no mesmo plano simbólico do que mundos afastados. Conheço um rapaz que só queria um tractor com pá escavadora e rotoempacadora, e nom deu atopado em tenda nengumha da sua contorna.Nom poder jogar com referentes do contorno mais imediato, nom é um primeiro passo de alheamento do mesmo?
Tentemos criar opções de jogos, de narrativas, achegadas. Tenhamos os nosso próprios personagens e heróis. Aplique-se o conto á língua e à cultura em geral. Por ai vai a ideia do Projecto Barriga Verde 😉