A contradiçom do trato aos animais

Cavilo en quando em quando, na relaçom contraditória que se dá no trato aos animais na sociedade tradicional/rural. Embora poidamos pensar que os animais de companhia som produtos esencialmente urbanos, acho que também no agro existem relações afetivas com os bichos com os que se convive, embora estas permaneceram integradas num marco de utilitarismo. Isto gerou e gera umha série de contradições que se revelam de diferentes jeitos.

A contradiçom na matança
Em esse sentido, penso que a matança amosa de jeito mais evidente umha contradiçom, latente noutros casos, entre o emprego utilitário dos animais e o afeto que se lhes colhe na casa. É dizer, sempre se dá umha certa identificaçom do ser humano com o animal como ser vivo e sentinte, e mesmo se valora a sua companhia. Para além da maior ou menor centralidade que este sacrifício poida ter ou tivo no passado, é habitual, a falar sobre este processo, que apareçam as histórias sobre “o bom que era o porco” ou “o inteligente que era” (ao jeito que recolhe o genial Davila no quadrinho superior) ou a mágoa que dá o matar. De jeito semelhante, aparece sempre o comentário sobre os berros do animal, e os casos de gente que nom gosta da matança.

Porco, animal de companhia
Assim no porco há testemunhas que achegam a sua figura ao de animal de companhia, como é o caso de Quinín. Ou o distingo que se fai, por extraordinário, com o javali Cosme, que foi mascota no canto de prato.

Espécies
Para além do porco, que segundo a espécie há um maior ou menor respeito e afeto polo animal: matar polos é algo cotiám, maltratar um cam pode ter -nem sempre- sanções sociais como um alcunho. A vaca está consagrada como animal ao que se lhe pode ter carinho, quando menos até a gandearia industrial: Botava anos na casa, compartia espaço com a família e tinha nome. De jeito semelhante, o cam recebia também uns certos carinhos e cuidados embora a miúdo estivesse marcado mais polo seu labor de guarda do que pola sua funçom de companhia (umha dualidade quiçais mais aguda ainda nos cans de caça, que se chegam a sacrificar quando deixam de ser úteis).

Idades
Muda também a relaçom segundo a idade dos animais. Aos nenos mercavam-se-lhe pitos como joguete, ou permitia-se-lhes jogar com as crias dos coelhos ou dos cans. De jeito contrário, o afogamento ou soterrado de crias de cam e de gato era visto como algo absolutamente normal (de ai casos como este), mentres que matar exemplares adultos destas espécies nom resultava tam inócuo.

Variedade de reações
A exprimir esta contradiçom, dá-se toda umha série de reações entre a povoaçom, a depender a situaçom e da própria pessoa. Há quem nega qualquer empatia com o animal ou com algum exemplar concreto, assim como quem nom quer ver como morre ou participar no sacrifício. Em esta reveladora entrevista atopamos a posse estrema do matachim sem piedade canda à da dona que sinte mágoa polo animal.

Como é habitual na relaçom com a morte, cabem todo tipo de opções. No marco desta contradiçom pode-se pensar no papel que joga o matachim como figura externa a família que executa o animal, a difundir assim a responsabilidade pola morte dum “membro da casa”. Ou a própria participaçom coletiva da família em todo o processo no mesmo sentido (sem negar a necessidade de especialistas ou a falta real de mao de obra na casa).

A contradiçom medra?
Poida que nestes tempos, ao nom ser estritamente necesária a morte do animal para a mantença da família em muitos casos, e passar a carne do cocho a ser umha delicatessen (e amplificar quiçais a matança a sua funçom ritual), a contradiçom se incremente. A somar ao facto de muita da gente que se achega à matança vivem em contornos urbanos onde a morte dos animais nom é já cotiam e predomina umha outra relaçom com os mesmos. O avance do vegetarianismo e das propostas por um trato ético aos animais fam pensar em que a contradiçom pode amosar-se mais vivamente. Desde logo a questom é complexa.

2 reflexións sobre “A contradiçom do trato aos animais

  1. Claro que nos contornos urbanos a morte dos animáis non é cotiá que suceda diante dos nosos ollos, máis a morte dos animáis é cotiá lonxe dos nosos ollos. Os “urbanitas” non temos que matalo porco, máis o porco morre igual, dun xeito “externalizado” e “industrializado” que nos exime da carga de ter que matalo nos, e nolo presenta xa non como un ser vivo, se non como un produto manufaturado: Un bistec, un chourizo, unha hamburguesa… que en pouco nos lembra ao animal do que provén. Probablemente (eu o primeiro) se tivera que matar a carne que como, ou estivera forzado a mercar o animal morto, sen estar xa limpo e descuartizado, comeríamos moita menos carne. A mo

  2. Por suposto. Essa é a ideia do final: o afastamento da morte dos animais da vida cotiá provoca e provocará mais resistência ante o sacrifício “ao vivo”.

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