Action-figure pulpeira e a artesania como autenticidade

Semelha piada, mas quase existe. Embora sem articular, o web Tipigal (Produtos típicos galegos) permite adquirir figuras sobre ofícios “tradicionais”. A saber: pulpeira, ferreiro, aguardenteiro, carpinteiro, taberneiro, panadeira e mesmo albanel! Ademais, também estám disponhíveis reproduções do carro e da lareira entre outros elementos, em todos os casos (agás no carro) cum fundo de pedra que atua como cenário do ofício e lhe outorga o caracter tradicional cum contexto de granito.

Destaca no entanto, o albanel e o seu trabalho a tijolo à vista… umha reivindicaçom do feísmo e da autoconstruçom como elemento diferencial? Consciente ou inconsciente?

De atendermos a este web no que se refere a quais som os produtos típicos (a denominaçom já amosa a perspetiva de exportaçom do projeto) olhamos comos a denominações de origem se imponhem como garantes de identidade alimentária, que o porco celta (até há poucos anos perdido) colhe força como um símbolo de autenticidade ou, curiosamente, que as algas se integram rapidamente na nossa identidade típica. Chega a se vender como típico e autêntico qualquer produto feito na Galiza (genebra ou setas shiitake incluídas) e com tintes de ecológico ou artesanal.
É claro que num projeto deste tipo ficam fora produtos frescos de difícil distribuiçom, polo que pontos fortes da nossa gastronomia para turistas como o marisco estám só na forma de conservas.

Nesse sentido, a nossa autenticidade aparece neste web em boa medida como resultado um processo de vontade, sustenta-se numha atitude e num modelo de negócio slow tanto ou mais do que em elementos diferenciadores intrínsecos. O produto elaborado, já nom só os produtos próprios é o que nos diferença e se incorpora como marca diferenciadora. O pam de Cea, mesmo sem contar com cultivos próprios de trigo, fai-se tam galego como o emprego do grelo na culinária. A genebra e as algas elaboradas na Galiza integram-se ao mesmo nível do que as variedades autóctones de vinho.

Com isto, tudo se integra afinal no próprio conceito de produto, de jeito a identidade fica como um elemento de originalidade que achega valor num mercado.

Mas essa reelaboraçom identitária mercantil acaba gerando um feddback sobre a própria sociedade, polo que acabamos definindo em boa medida quêm somos a partir do que nos mercam, do que é útil para esse mercado.
E o problema pode ser que afinal nom decidimos de jeito consciente quêm queremos ser (e a partir de ai olhamos como nos fazer possíveis).

A questom é que nos deixamos marcar por essas olhadas e acabamos sendo mais mais como nos definem do que como nos definimos.

3 reflexións sobre “Action-figure pulpeira e a artesania como autenticidade

  1. Lamentablemente a imaxe que se proxecta de nós acaba marcando fortemente as crenzas populares, coma ben dis, as algas xa son producto típico na mente global de moitos coñecidos, cando sendo nenos só eran esas cousas asquerosas que se che pegaban á pel na praia e que, disque, comían os chineses e xaponeses.

  2. O problema de fundo quiçais seja a falta de masa crítica que adopte umha postura ativa à hora de definir a identidade, e já nom falamos de nacionalismos, mas apenas de gente que queira decidir como se lhe define e com quê cousas estám e nom estám cómodas…

  3. Pingback: Anovar as iconas | Apontamentos do natural

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