Independências

Declaran República Independente a Illa de Tambo – Praza Pública.

Longe da minha intençom apresentar análises políticas ou extrapoláveis a outros ámbitos. O caso fai-me pensar.

Um território que botou muito tempo fechado, como foi Tambo, ocupada por militares, gera expectativas de futuro. Está o mistério do que havia ali, a sua condiçom de cápsula do tempo, a tentativa de reivindicar um vencelho emocional de gerações passadas que sim tinham a ilha como um espaço próprio e nom coutado.

Fronte à inaçom e ao mantimento do feche por parte das administraçomm, que deixa a Ilha como um território inacesível e fora da sociedade, reivindica-se o território como da gente, como paisagem própria dum coletivo.

Entom apresenta-se a independência de Tambo como resposta ativa à situaçom de abandono. Umha mudança de paradigma para um território. Transformar a inaçom em açom autogerida: Se nom o querem, se nom nos querem, que nos deixem fazer. Ao tempo, a reclamaçom pode servir para catalizar a açom coletiva, desenvolver novos vínculos entre as pessoas de destes com o território.

Até que ponto nom podemos fazer-nos todos nós repúblicas independentes, autogerir-nos? Poderá-se fazer o caminho do Courel a Compostela por terras libertadas (que dizia o Novoneyra) por diferentes pessoas e coletivos e de diferentes jeitos?. Empresas, cooperativas, associações, particulares, mancomunidades, vizinhos que reclamem como seu um território e o gerem. Há casos já.
E ainda mais, quanto poder de mobilizaçom tem o trabalho sobre território? Até quê ponto pode mudar a sociedade e a cada um de nós?

Porque afinal, quiçais o mais importante seja fazer os caminhos (todos) com os pés libertados.

4 reflexións sobre “Independências

  1. Eu vejo o abandono institucional do que falas como um sintoma do processo de descomposiçom que se está a produzir a nível global e que evidentemente também atinge o nosso País. Deixar partes do território fora do controlo, controlo que na lógica estatal era parte fundamental do seu próprio ser, nom responde a nengumha estratégia prévia cavilada em profundidade, é mais bem umha consequência desta descomposiçom, um recolhimento táctico do poder. Nom controlam todo o território porque nom podem fazê-lo.
    Mas, como é que se configura agora a sua praxe de controlo territorial? Conscientes da sua incapacidade, estám a reconfigurar o seu jeito de agir, o objectivo agora nom é controlardes a totalidade do território, senom controlar o território do que se pode tirar lucro desde a óptica do “capitalismo de compadres” que impera a nível global. Na Galiza, um exemplo disto, é o caso dos concelhos interiores e rurais, deixam-os esmorecer, virando-se laxos no controlo da maior parte deste territórios, mas concentram a sua acçom (mediática, legislativa e chegado o momento também repressiva) em pontos concretos destes, como no caso dos jazimentos mineiros.
    Pra eles agora, o mapa estatal, deixou de seres um fim em sim mesmo, agora é um médio, umha ferramenta que lhes indica de que lugares se pode tirar mais lucro e onde devem concentrar as suas forças em cada momento, para deste jeito, além de ganhar ingressos, economizardes a sua capacidade limitada.

    Normalmente tendemos a ver este(s) abandono(s) como algo negativo. Mas se quadra, em troques de gastar as nossas forças em lhe reclamar ao poder que nom nos deixe desamparados, seria melhor mirar para esta situaçom coma umha oportunidade que se nos apresenta. Os territórios abandonados polo poder podem conformam o espaço desde o que artelhar umha alternativa a este mesmo poder, um espaço sem grandes ingerências, pois eles mesmos declinarom o seu controle, onde experimentar novos jeitos de nos organizar e agir.

    Mas esta alternativa nom deveria procurar a criaçom dum estado alternativo. A própria experiência do poder na impossibilidade de controlar todo o território, fai-nos intuir umha outra ideia: a escala óptima no é a maior, senom a pequena.

    À tua pergunta:
    “Até que ponto nom podemos fazer-nos todos nós repúblicas independentes, autogerir-nos?”
    Haveria que respostar: “nom temos de nos perguntar se deveríamos nos auto-gerir, senom, como é que fazemos isso?”

    Últimamente gosto muito da ideia de “Ilhas em rede” http://lasindias.net/indianopedia/Islas_en_la_red tirada da novela Piratas de dados de Bruce Sterling. http://pt.scribd.com/doc/23999639/Bruce-Sterling-Piratas-de-Dados
    Nom poderia ser a Ilha de Tambo, a primeira dumha rede de ilhas livres que vaia desde o Courel até Compostela… e por que nom, até o infinito e além? http://www.youtube.com/watch?v=-RVfJwPyeE8
    ^-^

  2. Boas. Obrigadom polo comentário!!

    Realmente o teu comentário sinala a nível galego a aplicaçom da lógica capitalista postcolonial: no canto de controlar politicamente o território, busca-se unicamente a sua exploraçom econômica, deixando “abandonado” o que nom lhes interessa.

    Efetivamente é umha perspetiva verdadeiramente interessante, e com certeza explica um incremento de abandonos, que eu vencelho também ao desenvolvimento tecnológico que permite minimizar a estruturas físicas de controlo (penso, por exemplo, nas instalações militares abandonadas por todo o país, substituídas pola capacidade dos aviões de combate) e substituí-las por jeitos mais intangíveis.
    A resumir: é mais eficaz para o capitalismo controlar ao jeito postcolonial
    No entanto, acho que o controlo do território nunca foi completo ou intensivo, e sempre ficárom espaços abertos, baleiros ou abandonados. Quiçais nom muitos já que na sociedade tradicional a quase tudo se lhe dava uso e estava regulado (sempre me parecérom uns espaços particularmente fora de orde os humidais, mas tenho pendente investigar como estavam na prática regulados). Mas havia: casas baleiras, montes comunais com empregos nom totalmente regulados ou costumes laxos, a parte de atrás da igreja durante as festas. Margens.
    Sei lá se na atualidade temos mais espaços potencialmente livres ou se apenas o som de jeito diferente (e, no entanto estám mais controlados?).

    Tenho pendentes muitas cousas arredor destes conceitos, que me semelha que tenhem um potencial tremendo.
    Repasar a Hakim Bey e os TAZ http://en.wikipedia.org/wiki/Temporary_Autonomous_Zone, os Reclaim the Street, o conceito de festa (http://books.google.es/books?id=d8CsEQP9ijYC&lpg=PA9&ots=2I__Dne7Qq&dq=s%C3%ADmbolos%20en%20la%20ciudad.%20lecturas%20de%20antropolog%C3%ADa%20urbana%20%C3%ADndice&hl=pt-PT&pg=PA145#v=onepage&q=fiesta&f=false pag.145) ou a Communitas de Turner entre outros conceitos. E agora, tb Sterling! Obrigadom!!

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