Quêm transmite a tradiçom?

A pensar no jeito no que se nos dá a conhecer a cultura tradicional galega, todo o trabalho de recuperaçom que se fai e se tem feito, pergunto-me quêm é essa gente que nos achega o conhecimento.

Na aldeia, a gente “normal” desconfia de estranhos. A gente “normal” nom quer saír em cámara. Na sociedade tradicional ensina-se com o exemplo, em convivências prolongadas, nom ante interrogatórios gravados nem em conferências. O seu saber nom é facilmente verbalizável, nunca foi transmitido desse jeito.

Entom, quanto do que recuperamos, do que lembramos, do que cremos saber da nossa sociedade tradicional, chegou das maos da gente menos normal?

Dos frikis da aldeia. Dos que estiveram fora e já criaram algumha precária síntese que lhes permitiu exprimir-se para serem entendidos pola modernidade. Dos náufragos que gostam da companhia e da atençom de estranhos que venhem perguntar.

“Conhecimento há, o que é difícil é atopar gente que queira transmiti-lo”, diziam-me há bem pouco… O mesmo nem som os que mais sabem,  mas os que melhor manexam os códigos modernos os que estám a nos achegar o conhecimento para construírmos a nossa identidade.

Por quê nos falam?

Até onde devemos pôr em questom as fontes orais? E ainda mais, quê papel lhes outorgamos? Som apenas receptáculos que respondem as nossas questões sobre cantigas, ditos, costumes?

Podemos-lhes deixar a iniciativa?
Permitir que eles mesmos desenvolvam o quê querem contar, construam conscientemente o  seu discurso?
Quê pode saír de aí?