Galeguismo como lifestyle

Sei bem que em boa medida vivo um país que nom existe. Que canda ao meu há outro, chamado Galicia, que moram gente que o tem com um espaço mais num país chamado Espanha, cumha lingua e cum folclore e umhas peculiaridades que som outras mais entre tantas regiões, que se consideram numha periferia desse Estado e olham limites, interações, significados diferentes nos mesmos factos e conceitos que eu atopo.

Bem sei que cada vez mais determinadas militáncias ou crenças vam-se equiparando a jeitos de vida, lifestyles. Ser muçulmano, comunista, punk, vegetariano, swinger, homossexual ou roleiro equipáram-se como opções identitárias de cada indivíduo, tentando também tirar-lhes o potencial transformador que boa parte das mesmas tenhem a nível social.
No entanto, vendo a situaçom, começando a conceber a possibilidade da desapariçom (e nom criaçom de novas) sinais de identidade próprias, a opçom de que nom haja movimentos organizados com reivindicações políticas que queiram um país como eu o quero, quiçais seja hora de aceitar o galeguismo como um jeito de vida mais, um outro lifestyle.

Como viver entom acô? Devo aceitar finalmente que o país é umha enteléquia, e que o meu jeito de o viver é viver numha ilusom? Viver ao jeito dum freak que fala e escreve numha língua concreta, que comparte com outros um imaginário peculiar, determinadas citas sociais, códigos de conduta e referentes. Que gosta de estudar os costumes e a história deste mundo somentes como um jeito de definir a identidade própria, que concebe o mundo desde um ponto de vista que na realidade é imaginário. Do mesmo jeito do que se vive desde a afeiçom à Terra Meia, Star Trek, o manga.

Acabaremos fazendo juntanças de cosplayers para nos vestir de gaiteiros.

11 reflexións sobre “Galeguismo como lifestyle

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  2. Com efeito! Esquecede de vez os referentes universais:
    cada quem deve viver o seu frikismo livremente.. e na medida das suas possibilidades tentar atrair outros frikis ao seu.

    A Direitona funciona assim (há qualquer cousa mais friki que o Aznar, a Cospedal, a Esperanza ou o Marianico???), a mostrar-se sem complexos, sem se preocupar dos demais, e bem que lhes vai ..

    O problema logo não é: frikismo sim ou não?

    Mas: o que faz o meu frikismo mais interessante do que os demais …

    (e o dia que o teu frikismo seja maioritário, os frikis serão os outros ..)

  3. Tenho pendente de desenvolver um bocadinho mais o tema: a questom é que acho que há 2 diferenças fundamentais entre o que consideramos frikismo e os movimentos sociais
    1- a massa crítica e a sua aceitaçom polo conjunto da sociedade como movimentos
    2- a vonta de transformaçom social. O Steampunk pode reclamar umha sociedade mais imaginativa ou mais aberta à diferença, mas nom reclama (em princípio, que há leituras para todo) umha sociedade diferente.
    Nós sim.

  4. Ao meu ver, a questão é que não podemos aguardar pola compreensão social para agir…
    Eis na minha opinião a diferença entre uma pessoa das esquerdas e um friki:
    a pessoa de esquerdas precisa no mínimo atopar certo eco ou compreensão social para agir, o friki não.
    Sabe-se friki e age em consequência sem pedir permisso, nem esperar por ninguém..

    Por isso: vivam os frikis!!

  5. Correcto, nom se trata de agardar por umha massa crítica concreta. O que ti comentas é o que eu digo da vontade transformadora.
    Mas também está o facto de ser reconhecido pola própria sociedade como parte dum movimento que busca transformaçom. Isso legitima as acções, contextualiza-as. Vimos falando do mesmo.

  6. Certo. Contudo, o que eu cada vez ponho mais em causa é que devamos ter qualquer ânsia liberadora sobre outrem…

    Acho que, ora é o primeiro passo necessário, ora cadaquem já faz bastante a se liberar ele próprio.

    Saúdos.

  7. Reclamais que todos los habitantes de Galicia sean como vosotros, ultranacionalistas, que hablen como vosotros, que tengan vuestras mismas opiniones, sentimientos nacionales, la misma forma de entender la identidad individual. Esto os asemeja a los frikis cristianos, por ejemplo. en el deseo de que no haya nadie más que vosotros, ninguna otra identidad.

  8. Por cierto: un aspecto fundamental de la identidad colectiva historica de Galicia es su religion y sus costumbres religiosas, principalmente catolicas. ¿Por que los confesionalistas identitarios defendeis su desaparición?

  9. Quantas geralizações e prejuíços sobre cousas que nom se comentam no texto meu deus!
    Só comentar que longe de mim a ideia dumha sociedade homogeneamente ideologizada e nacionalista. Tudo o contrário, as diferentes vivências da identidade parece-me muito mais rico.
    Em tudo o caso, a tua visom apoia a ideia que comento de passada: existem múltiplas Galizas sobre um mesmo território. Em todo o caso o problema é que umhas tendam a eliminar as outras…
    Por certo, seguramente em Chuza os teus comentários academ bastante mais eco do que acô, um saudo 🙂

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