Armas tradicionais para a (des)mobilizaçom

As recentes mobilizações em contra da incineradora do Irixo estám a amosar o jeito no que continuam a ser efectivos jeitos tradicionais de mobilizar e de desmobilizar a sociedade.
Por umha banda, entre outros campos de acçom próprios da sociedade agrária, está o facto destacável de que o párroco está em contra da instalaçom da incineradora, e que desde o púlpito mobiliza a vizinhança contra a mesma.

Pola outra, atopamos como a reacçom fai chamamentos próprios da sociedade agrária para desmobilizar o povo. O folheto reproduzido arriba distribuiu-se, supostamente, no centro de saúde local entre outros espazos.
Cumha retórica claramente focada aos mais idosos, atopamos no texto chamadas à relaçom pessoal com o alcalde e a confiar nele, canda ao recurso do localismo. Também se amosa a consciência da idade da povocaçom local, apontando a necessidade de criar postos de trabalho para que retornem filhos e netos, así como os efeitos possitivos que pode ter a planta para a agricultura.
É dizer, apresenta-se a incineradora como um elemento que vai contribuír a manter a sociedade tradicional, melhorará a agricultura, equilibrará a pirámide povoacional e, ao tempo, achegará autoestima e dignidade ao lugar, entre outros efeitos.

Canda a isto, no campo da desmobilizaçom, atopamos também armas tradicionais no jeito no que se tentou dificultar a celebraçom dum festival contra o projecto: “Dos coches se ocuparon de embarrar bien el campo da festa. Otro paisano, sin vacas, esparció purín justo enfrente, pero el viento se le puso en contra”. (El País).

Estas questões fam-me pensar na necesside de analisar desde a Antropologia cómo se realizam as mobilizações que se desenvolvem no nosso agro. Mais concretamente, pensando nas de carácter ambiental, que som na actualidade maioria e serám ainda vistos todos os projectos que ameaçam o território rural (piscifactorias, eólicos, minas, incêndios…).
– Até que ponto som conscientes os colectivos ecologistas e as plataformas que se criam ad-hoc dos foros nos que a sua mensagem tem umha maior efectividade? A igreja, a taberna, a imprensa local, os centros de saúde, as festas patronais… podem ser chave em determinados momentos se se sabem empregar.
– Sabemos empregar as armas que, como olhamos, a reacçom tem controladas?
– Como se podem elaborar as mensagens para optimizar a sua difusom?
– É imprescindível contar com povoaçom local como transmisores e mediadores? Devem os especialistas (geralmente foráneos) tomar a voz?
Olhar os ritmos das mobilizaçons, como se incrementa a ou diminue a presom ou o jeito no que se transmitem os conhecimentos entre diferentes mobilizações de carácter local som algumhas das questões que acho de interesse para estudar.

O problema deste tipo de estudos é que, de se publicar, dam-lhe também armas ao inimigo…

2 reflexións sobre “Armas tradicionais para a (des)mobilizaçom

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